Testamos o Renault Captur 1.6 CVT X-Tronic Bose 2020

Testamos o Renault Captur 1.6 CVT X-Tronic Bose 2020

► Versão acústica
► A série limitada Bose agrega um sistema de som premium à versão “top” do Renault Captur

Historicamente, talvez pela musicalidade exuberante tão característica da cultura nacional, o consumidor brasileiro sempre valorizou carros com o chamado “sonzão”.

Não por acaso, lançamentos automotivos de versões especiais com sistema de som premium são recorrentes no mercado nacional e não param de surgir em diversas marcas.

Em outubro do ano passado, foi a vez da Renault apostar nessa tendência e tentar alavancar as vendas do utilitário esportivo Captur com o lançamento da série limitada Bose.

A versão que ostenta a grife da renomada empresa norte-americana de equipamentos de áudio agrega amplificador de sete canais, twitters mais refinados, sete alto-falantes especiais e caixa selada (subwoofer) no porta-malas, que não ocupa espaço. Emblemas nos bancos, soleira e escudos Bose na carroceria compõem a indefectível “ostentação estética” que as versões especiais sempre apresentam.
Lançado no Brasil em 2017, o crossover da marca francesa baseado no Duster se mantém como um dos utilitários esportivos mais bonitos do mercado nacional. A grade rebaixada na parte central e os leds diurnos em forma de “C” conferem um aspecto atraente à parte frontal.

Os faróis dotados de projetores tipo canhão e os de neblina de leds contrastam um pouco com o conjunto óptico com lâmpadas comuns. O capô é curto e o uso de um tom diferente no teto e nas colunas ajuda a dar um visual marcante. Apesar do estilo ainda poder ser considerado bem contemporâneo, o Captur já ganhou uma nova geração, apresentada na Rússia. No Brasil, a renovação do modelo está prevista para 2021.
Além de incorporar o prestígio da empresa fundada por Amar Bose em 1964 no Estado norte-americano de Massachusetts, que fornece equipamentos de áudio para fabricantes de carros de luxo de todo o mundo, a série Bose inaugurou uma nova combinação de pintura no Captur – carroceria Cinza Cassiopée com teto Prata Étoile, presente no modelo 1.6 CVT X-Tronic avaliado. Mas a série também é disponibilizada em outras três combinações: Preto Nacré com teto prata Étoile, branco Glacier com capota Preto Nacré e Vermelho Fogo com teto preto Nacré.
Baseada na configuração topo de linha Intense, a série Bose do Captur tem o Media Evolution com tela de 7 polegadas sensível ao toque, que interage com Android Auto e Apple Carplay e permite usar Spotify, Waze, Google Maps (Android Auto) e áudios de WhatsApp. A configuração tem de série alarme, vidros elétricos, apoio de braço para o motorista, ar-condicionado automático, câmera de ré, chave-cartão, comando de áudio e de celular na coluna de direção (comando satélite), direção eletro-hidráulica, farol de neblina, sensor crepuscular, controle de cruzeiro com indicador e limitador de velocidade, regulagem de altura do volante, regulagem de altura para o banco do motorista, sensor de chuva, banco de couro, rodas aro 17 polegadas de liga leve diamantadas, assistente de partida em rampas (HSA), controle eletrônico de estabilidade (ESP), controle eletrônico de tração (ASR), freios ABS, Isofix e quatro airbags (dianteiros e laterais).
Com a motorização 1.6 16V flex, o Captur Bose rende 120 cavalos de potência e 16,2 kgfm de torque, independentemente da proporção de etanol e gasolina no tanque. O motor trabalha acoplado a um câmbio automático de variação contínua (CVT). No ano passado, quando a série Bose foi apresentada, era oferecida também na versão com o motor 2.0 16V, que entregava 143 cavalos e 20,2 kgfm com gasolina ou 148 cavalos e 20,8 kgfm quando abastecida com etanol, que trabalhava em parceria com um anacrônico câmbio automático de 4 marchas. No entanto, esse “powertrain” deixou de ser oferecido este ano. A próxima geração do crossover, esperada para 2021 no mercado nacional, deverá marcar a estreia do novíssimo motor 1.3 turbo de 150 cavalos com gasolina. O Captur Bose parte de R$ 97.990, exatos R$ 2 mil a mais do que a versão “top” Intense.

Experiência a bordo - Para ouvidos privilegiados
Por dentro, a versão Bose do Captur tem a mesma configuração da Intense. O painel tem um cluster análogo-digital bem resolvido e de boa leitura, que incorpora indicador luminoso de função Eco e computador de bordo. Na parte central, um acabamento em preto brilhante com cromados envolve a multimídia Media Nav e o ar-condicionado automático. A pontuação atribuída para eficiência energética estimula a buscar mais economia, assim como os dados de desempenho. A câmera de ré é bastante eficiente, algo relevante em um SUV. O painel conta com um porta-objetos na parte superior, mas há pouco espaço para copos no console. Dois destaques internos do Captur são o botão de partida e slot para a chave-cartão. Não é necessário ligar o carro com ela encaixada no slot, porém, é prático deixá-la carregando por lá – até para não ter de ficar procurando onde está na hora de sair do veículo. O volante tem ajuste só de altura, não de profundidade.
Entretanto, a inegável atração da versão Bose é o sistema de som premium, que coloca a sonorização do Captur em um patamar usual só nos automóveis de luxo. É um sistema com nível de precisão e realismo impressionantes, equipado com sete alto-falantes, estrategicamente posicionados em cada parte do carro, para permitir uma melhor experiência acústica. Para proporcionar graves vibrantes e alta fidelidade sonora, o sistema de som incorpora ainda dois tweeters com ímã de neodímio no painel de instrumentos, dois woofers nas portas frontais e um subwoofer com ímã de neodímio. Para os leigos, tais informações técnicas podem significar pouco, contudo, os tímpanos captam a diferença e transmitem ao cérebro a clara percepção da qualidade sonora do veículo.

Impressões ao dirigir - Ao ritmo da música
Além de usar um motor “emprestado” do Kicks, o crossover Renault também compartilha com o “colega” da Nissan a mesma caixa CVT X-Tronic. Prerrogativas do grupo Renault-Nissan, aliança estratégica franco-japonesa que completou vinte e um anos em março. Com 6 marchas virtuais, a transmissão continuamente variável se harmoniza bem com o motor 1.6 16V CSe, que entrega 120 cavalos e 16,2 kgfm. Todavia o modelo da Renault é cerca de 140 quilos mais pesado em comparação ao da Nissan, o que torna o SUV da marca francesa menos ágil – algo notável principalmente quando é necessário acelerar forte para ganhar velocidade para uma ultrapassagem, por exemplo. Já o câmbio entrega o conforto que se espera de um CVT, embora eventualmente se torne rumoroso na busca da melhor relação de marcha. O motorista até pode controlar manualmente a passagem das marchas ao jogar a manopla do câmbio para a esquerda, porém o conjunto realmente não esbanja fôlego. A sensação é de que um pouco mais de potência e de torque tornariam o veículo dinamicamente mais esportivo e mais divertido – notadamente em uso rodoviário. Em termos musicais, talvez o Captur Bose esteja mais para aprazíveis passeios “bossa nova” do que para frenéticas correrias “heavy metal”.
O porte do Captur também não colabora muito em termos de consumo. Segundo o Inmetro, o modelo roda 7,2 km/l na cidade e 10,5 km/l em rodovias, com etanol. Com gasolina, os números são 8,1 km/l e 11,7 km/l. Tal desempenho rendeu pouco edificantes notas “C” na categoria e “D” no geral. Se o Captur não é o utilitário esportivo mais recomendável para quem gosta de dirigir esportivamente e também não pode ser considerado a melhor alternativa em termos de consumo de combustível, quando a demanda é por conforto, é uma opção que merece ser considerada. As suspensões têm um ajuste sutilmente rígido, porém são bem calibradas e não maltratam os passageiros – e ainda proporcionam ao crossover uma postura equilibrada nas curvas rápidas. Nas frenagens bruscas, o comportamento é bastante correto e transmite sensação de confiabilidade. A assistência eletro-hidráulica da direção não é tão leve nas manobras de estacionamento, contudo, é bastante precisa e proporciona a rigidez desejável em velocidades mais elevadas. Outro atributo do estiloso crossover da Renault, que até justifica um pouco a diferença de peso em relação ao Kicks, é um isolamento acústico caprichado. Essa característica até ajuda a desfrutar melhor do ótimo som Bose, o grande “appeal” da série especial do Captur. 

Ficha Técnica: Renault Captur Bose
Motor: 1.6 SCe, 1.597 cm3, dianteiro transversal, flex, 4 quatro cilindros em linha, 16 válvulas, injeção eletrônica de combustível multiponto
Taxa de compressão: 10,7:1
Potência máxima: 118 cv a 5.500 rpm (gasolina)/ 120 cavalos a 5.500 (etanol)
Torque máximo: 16,2 kgfm a 4 mil rpm (gasolina/etanol)
Transmissão: CVT
Freios: frontal com disco ventilado e traseiro com tambor
Direção: eletro-hidráulica
Suspensão: dianteira com McPherson, independente com barra estabilizadora e traseira com eixo de torção 
Rodas e pneus: liga leve aro 17 polegadas, 215/60 R17
Dimensões: 4,33 metros de comprimento, 1,81 metro de largura (sem retrovisores), 1,62 metro de altura e distância entre os eixos de 2,67 metros
Porta-malas: 437 litros
Tanque: 50 litros
Peso em ordem de marcha: 1.286 kg
Preço: R$97.990,00.
por Luiz Humberto Monteiro Pereira - AutoMotrix.