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Cachaça mineira movimenta R$ 624 milhões por ano

Minas Gerais reforça liderança nacional e amplia presença da bebida em novos mercados Celebrado em 13 de setembro,…

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Minas Gerais reforça liderança nacional e amplia presença da bebida em novos mercados

Celebrado em 13 de setembro, o Dia Nacional da Cachaça destaca a relevância histórica, cultural e econômica de uma das bebidas mais emblemáticas do Brasil. Criada em 2009 por iniciativa do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), a data faz referência a 1661, ano da chamada Revolta da Cachaça, movimento que culminou na liberação oficial da produção da bebida pela Coroa Portuguesa.

Em Minas Gerais, essa tradição secular também se transformou em força econômica. Apenas em 2025, a cachaça mineira movimentou R$ 624,7 milhões, segundo levantamento da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

Mais do que um símbolo da cultura estadual, a bebida hoje impulsiona empregos, arrecadação, turismo, negócios e oportunidades para produtores de diferentes regiões.

Minas lidera produção nacional

O protagonismo mineiro aparece com clareza nos números. Segundo o Anuário da Cachaça 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Minas Gerais possui 564 estabelecimentos elaboradores registrados, a maior quantidade entre todas as unidades da federação.

Esse volume representa 36,7% dos estabelecimentos do país.

O estado também ocupa a liderança em diversidade, com 2.922 cachaças registradas, aproximadamente 35% de todo o catálogo nacional.

Do faturamento contabilizado em 2025, 54% vieram de vendas realizadas para fora de Minas Gerais, incluindo operações interestaduais e exportações. Outros 46% tiveram origem no próprio mercado mineiro.

A cadeia produtiva também gerou cerca de R$ 56,5 milhões em ICMS no período.

Tradição vira patrimônio

A importância da cachaça ultrapassa as cifras. O processo tradicional de fabricação foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Estado pela Lei Estadual nº 16.688, de 2007, consolidando a relação da bebida com técnicas transmitidas entre gerações, identidade regional e comunidades produtoras.

Municípios como Salinas, Córrego Fundo, Coronel Xavier Chaves, Januária, Paracatu, Raul Soares e Itaverava ajudam a compor a geografia da cachaça mineira, reunindo diferentes métodos produtivos, aromas, sabores e histórias.

Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Bebidas do Estado de Minas Gerais (SindBebidas-MG) e vice-presidente da FIEMG, Mário Marques, o setor representa uma importante frente de desenvolvimento.

“A cachaça mineira reúne atributos que o mercado atual valoriza: origem, autenticidade, história e identidade cultural. O nosso desafio é transformar esse reconhecimento em mais competitividade, geração de valor e presença em novos mercados”, afirma.

Da produção para o mundo

O comércio exterior abre novas perspectivas para os produtores.

Em 2025, o Brasil exportou quase 8 milhões de litros de cachaça para 76 mercados, alcançando receita superior a US$ 17 milhões, conforme dados do MAPA.

Minas Gerais respondeu por aproximadamente US$ 1,5 milhão dessas exportações, equivalente a cerca de 8,8% do valor nacional.

Para Cristiano Lamego, executivo sindical do SindBebidas-MG e presidente da Câmara Setorial da Cachaça do Ministério da Agricultura, existe espaço significativo para avançar.

“Se Minas possui a maior concentração de produtores e uma enorme diversidade de produtos, existe espaço para ampliar significativamente sua presença nos mercados internacionais. Para isso, questões como padronização, certificação, registro, embalagem, posicionamento de marca e promoção comercial tornam-se cada vez mais importantes”, destaca.

Tecnologia amplia qualidade

Ao lado da tradição, a tecnologia ganha protagonismo na busca por maior competitividade.

O Centro de Inovação e Tecnologia (CIT SENAI) oferece soluções para controle de qualidade, aprimoramento de processos e desenvolvimento de novos produtos. Institutos ligados ao SENAI realizam análises físico-químicas e verificam parâmetros como teor alcoólico, açúcares, metanol, cobre, chumbo e arsênio.

Segundo a gerente de Conformidade e Qualidade do CIT SENAI, Zenilde Viola, inovação e conhecimento artesanal podem caminhar juntos.

“A ciência não substitui o saber artesanal; ela dá a esse saber uma linguagem mensurável, que pode ser comparada entre safras e usada para tomada de decisão”, afirma.

Os ensaios são realizados em laboratórios acreditados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO), aumentando a segurança e a confiabilidade dos resultados.

“Com base nesses resultados, o produtor pode verificar a conformidade legal do produto, identificar desvios e direcionar ações de melhoria. Consequentemente, garantir a adequação à legislação torna o produto muito mais seguro para consumo”, explica Zenilde.

Além das análises, o SENAI oferece consultorias técnicas e projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados à melhoria produtiva, adequação de rótulos e criação de novos produtos.

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