Mas cresce parcela sem condições de pagar dívidas
O endividamento das famílias de Belo Horizonte recuou em agosto, mas a melhora ainda não representa uma recuperação consistente da capacidade financeira dos consumidores. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), 86,4% dos consumidores da capital estavam endividados no mês, uma queda de 1,8 ponto percentual em relação a julho.
A parcela de consumidores com contas em atraso também diminuiu, passando de 65,3% para 63,3%, uma redução de dois pontos percentuais. Por outro lado, aumentou o número de pessoas que afirmam não ter condições de pagar as dívidas: o índice chegou a 32,1% em agosto.
Os dados foram analisados pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG e coletados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Para a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, os indicadores precisam ser analisados em conjunto. Segundo ela, a redução do endividamento e dos atrasos é positiva, mas o aumento da parcela sem condições de quitar os débitos mostra que ainda existe pressão sobre o orçamento doméstico.
Cartão de crédito lidera dívidas
O cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de endividamento em Belo Horizonte. Em agosto, 96,2% dos consumidores endividados tinham compromissos relacionados ao cartão.
A pesquisa chama atenção para a necessidade de planejamento financeiro, principalmente diante do custo elevado do crédito rotativo.
A duração dos atrasos também revela a dificuldade de regularização das contas. Entre as famílias que possuem débitos pendentes, 54,4% estão com os pagamentos atrasados há mais de 90 dias. O atraso médio é de 68,8 dias.
A situação é mais delicada entre as famílias com renda de até dez salários mínimos. Nesse grupo, 65,2% possuem algum compromisso em atraso. Entre consumidores com renda superior a dez salários mínimos, o percentual é de 51,7%.
Dívidas comprometem mais de um terço da renda
As dívidas comprometem, em média, 34,4% do orçamento mensal das famílias de Belo Horizonte. Em 80,4% dos casos, mais de 10% da renda está comprometida com esses compromissos.
O levantamento mostra ainda que 40,7% das famílias endividadas destinam mais da metade do orçamento às dívidas.
O comprometimento médio é semelhante entre as faixas de renda: 34,7% para famílias com renda de até dez salários mínimos e 32,6% entre aquelas que recebem acima desse patamar.
O prazo das dívidas também permanece elevado. Segundo a PEIC, 75,7% das famílias endividadas possuem compromissos com prazo de 90 dias ou mais. Em média, o tempo de comprometimento da renda chega a 8,1 meses.
Para Gabriela Martins, o cenário indica um consumidor mais atento ao uso do crédito, mas ainda pressionado por compromissos financeiros de longa duração. A capacidade de consumo das famílias, segundo ela, está diretamente relacionada ao espaço disponível no orçamento e às condições de acesso ao crédito.
Pesquisa foi feita com mil consumidores
A PEIC é realizada mensalmente e acompanha o cenário de endividamento e inadimplência dos consumidores de Belo Horizonte.
A pesquisa de agosto de 2026 foi realizada nos últimos dez dias de julho, com amostra mínima de mil consumidores maiores de 18 anos residentes na capital. O levantamento tem nível de confiança de 95%.
Leia também:











Comentar matéria