Iniciativa oferece 160 horas de formação
Quinze mulheres estão sendo capacitadas para atuar na operação de máquinas pesadas por meio do projeto Elas na Operação, iniciativa do Grupo Inova Construção em parceria com o SENAI Maurício Roscoe e o SICEPOT-MG. O programa busca ampliar a presença feminina em uma área historicamente ocupada por homens e aproximar a formação profissional de oportunidades efetivas de trabalho nos setores de infraestrutura e construção.
O curso tem 160 horas de duração e prepara as participantes para a operação de escavadeiras hidráulicas. A formação combina conteúdos teóricos e atividades práticas sobre procedimentos operacionais, segurança, inspeção de equipamentos, manutenção preventiva, movimentação de materiais e análise de riscos.
Qualificação e oportunidade de emprego
De acordo com o diretor de Operações do Grupo Inova Construção, Leandro Santos, o objetivo do projeto é ir além da capacitação técnica e criar uma conexão entre as profissionais formadas e possíveis oportunidades de contratação.
“O projeto Elas na Operação nasce do nosso compromisso do Grupo Inova de abrir portas e gerar oportunidades reais no setor de máquinas pesadas. Nosso objetivo não é apenas entregar um certificado, mas atuar como ponte entre a qualificação técnica oferecida pelo SENAI/FIEMG, as soluções integradas do Grupo Inova e a contratação efetiva”, afirma.
O projeto conta ainda com seis empresas madrinhas: Vilasa, Construtora Barbosa Mello, Skava, Ápia, Grupo Terramares e SCL Salum Construções. As empresas participam da iniciativa e poderão contribuir para a inserção das profissionais qualificadas no mercado de trabalho.
Para o gerente geral regional do SENAI MG, Cristiano Jácome, a iniciativa também representa uma oportunidade de reconhecimento da capacidade das mulheres para ocupar funções técnicas no setor.
“A gente vê muito além da formação de mão de obra. A gente vê o empoderamento da mulher, o reconhecimento e a capacidade, além da competência para abrir portas para outras oportunidades que vão certamente vir”, destaca.
Setor prevê aumento da demanda por profissionais
A ampliação da participação feminina ocorre em um momento de expectativa de crescimento da demanda por trabalhadores na construção e na infraestrutura. Segundo o presidente do SICEPOT-MG, Bruno Baeta, Minas Gerais conta atualmente com cerca de 150 mil trabalhadores com carteira assinada no setor, mas poderá precisar de aproximadamente 400 mil profissionais nos próximos oito anos.
As mulheres representam atualmente cerca de 9% dessa força de trabalho. Para Baeta, aumentar a participação feminina será necessário diante da perspectiva de expansão do mercado.
“As mulheres no nosso setor ainda enfrentam preconceito e não é fácil. Ainda tem uma dificuldade para aceitação. E nós não vamos conseguir isso sem vocês, sem as mulheres”, afirmou.
Participantes buscam independência
Entre as alunas está Cláubia Freitas, que deixou Catalão (GO) para participar do projeto. Para ela, a formação representa uma oportunidade de conquistar independência e ampliar as possibilidades profissionais.
“A maioria dessas mulheres, elas são mãe, pai, avó, tudo. Eu sou do alicerce ao chão na minha casa”, relata.
Cláubia também destaca a importância da continuidade da iniciativa para que outras mulheres possam ter acesso à formação.
“Estou muito grata e feliz. E quero pedir para que continuem com esse projeto que, para nós, é muito importante”, completa.
Acompanhamento após o curso
Além das 160 horas de capacitação realizadas no SENAI Betim, o Grupo Inova pretende acompanhar as participantes durante três meses após a conclusão do curso. A proposta é observar os impactos da formação nas trajetórias profissionais das alunas e acompanhar a inserção delas no mercado.
A expectativa dos organizadores é formar novas operadoras de máquinas pesadas, ampliar a diversidade nas equipes e criar oportunidades para que mais mulheres ocupem funções técnicas nos setores de infraestrutura e construção.
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