Em uma noite chuvosa e marcada por campo pesado, o Atlético foi superado pelo Vitória por 1 a 0, no Estádio Manoel Barradas, em Salvador, neste domingo, 31/08, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro Série A 2025. O revés prolonga a má fase do clube alvinegro na competição nacional e aumenta a pressão sobre o elenco e comissão técnica, mesmo com o comando interino de Lucas Gonçalves à beira do gramado.
A derrota deixa o Atlético estagnado nos 24 pontos, ocupando a 13ª colocação na tabela. A equipe agora volta suas atenções para o clássico decisivo contra o Cruzeiro, pelas quartas de final da Copa do Brasil, no dia 11 de setembro, antes de reencontrar o Santos na Arena MRV, pelo Brasileirão.
Logo aos 5 minutos de jogo, a equipe atleticana foi surpreendida. Erick, atacante do Vitória, encontrou espaço na ponta direita, driblou a marcação frágil e finalizou com precisão no canto esquerdo de Everson, abrindo o placar para os donos da casa. A jogada expôs novamente a vulnerabilidade defensiva do lateral Guilherme Arana, que ainda busca retomar sua melhor forma após cirurgia no joelho. A marcação “com os olhos” permitiu a finalização livre do adversário.
A partir desse golpe precoce, o Galo até tentou se reorganizar ofensivamente, mas esbarrou na forte marcação baiana e na ineficácia das próprias jogadas criadas. A posse de bola, majoritariamente alvinegra, não se traduziu em agressividade ofensiva.
O Atlético chegou a ensaiar uma reação ainda na primeira etapa. Tomás Cuello e Hulk protagonizaram as melhores investidas, porém sem conseguir transformar domínio em gol. Aos 26 minutos, Hulk aproveitou rebote e soltou uma bomba de perna esquerda, defendida por Lucas Arcanjo. Já no fim do primeiro tempo, o camisa 7 recebeu em profundidade e finalizou com perigo, conquistando um escanteio, mas nada que alterasse o marcador.
Enquanto isso, o Vitória, mesmo recuado, levava perigo esporadicamente. Willian Oliveira quase ampliou com um chute violento por cima do travessão, e Renato Kayzer tentou um lance plástico de calcanhar, porém sem sucesso. A atuação sólida de Everson evitou um placar ainda mais elástico.
O técnico interino Lucas Gonçalves promoveu alterações no intervalo, tentando oxigenar o setor criativo do Galo. Reinier e Igor Gomes entraram nas vagas de Vitor Hugo e Dudu, respectivamente. A equipe passou a ocupar mais o campo ofensivo, controlando a posse de forma intensa, mas continuava encontrando dificuldades para romper a linha de defesa do Vitória.
Gustavo Scarpa teve boa oportunidade aos 22 minutos, após receber de Alexsander e bater cruzado. A bola atravessou a pequena área sem que ninguém conseguisse concluir. A entrada de Biel na vaga de Natanael deu novo fôlego pelas beiradas, mas o gol continuava a não sair.
A melhor chance atleticana veio aos 35 minutos, quando Tomás Cuello fez bela jogada individual pela direita e bateu colocado, carimbando a trave esquerda do goleiro Lucas Arcanjo. O quase gol trouxe mais emoção à reta final da partida e levou a torcida alvinegra ao desespero. Logo após a jogada, Lucas Gonçalves lançou mão de Rony e Gabriel Menino, substituindo Scarpa e Alexsander, numa clara tentativa de ir com tudo para cima em busca do empate.
A pressão final do Atlético foi intensa, mas desorganizada. Hulk cobrou falta perigosa por cima, e Everson salvou o segundo gol do Vitória aos 43, espalmando finalização de Fabrício Santos. No apagar das luzes, Gabriel Menino cruzou fechado buscando Cuello, que chegou batendo de primeira, mas pegou mal na bola. Menino ainda tentou um chute de fora da área, que também não encontrou o alvo.
Na saída de campo, o capitão Hulk não escondeu a frustração com o momento atravessado pela equipe. Em tom autocrítico, o atacante pediu desculpas à torcida e cobrou reação imediata:
“Primeira palavra que eu tenho pra falar é pedir desculpas para os torcedores em nome desse elenco. Depois da última data Fifa, se pegar os jogos no Brasileiro, somos o último colocado. É inaceitável pelo elenco que temos. Temos que trabalhar e dar uma resposta positiva. Temos 11 dias até o próximo jogo. É trabalho, concentração, foco e determinação para reverter essa fase”.
Além da derrota, o Atlético terá mais uma dor de cabeça: o zagueiro Junior Alonso recebeu o terceiro cartão amarelo e está suspenso para o confronto diante do Santos, marcado para o dia 14 de setembro, na Arena MRV. A ausência do defensor paraguaio complica ainda mais a já frágil estrutura defensiva do time.
Com a pausa para a data Fifa, o elenco terá dois dias de folga antes de retomar os trabalhos na Cidade do Galo. A preparação será voltada para o decisivo duelo contra o arquirrival Cruzeiro, no dia 11 de setembro, válido pelo jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil. No jogo de ida, as equipes empataram, deixando o confronto em aberto.
A expectativa é de casa cheia na Arena MRV, com a torcida alvinegra esperançosa por uma virada de chave em um clássico que pode redefinir os rumos do restante da temporada.
Desde a última pausa para jogos de seleções, o rendimento do Galo despencou drasticamente. Em um recorte preocupante, o time figura entre os últimos colocados do returno do Brasileirão. A sequência de atuações abaixo do esperado levanta questionamentos sobre preparação física, tática e emocional dos atletas. A ausência de um técnico efetivo também pesa no momento decisivo da temporada.
Reforços não correspondem às expectativas
Nomes como Gustavo Scarpa, Igor Gomes e Reinier ainda não conseguiram justificar as expectativas da torcida e da diretoria. As constantes trocas no meio de campo evidenciam a dificuldade em encontrar uma formação equilibrada, que una criação e marcação. A falta de entrosamento tem sido um dos fatores que explicam a queda de rendimento coletivo.
O sentimento nas arquibancadas e nas redes sociais é de impaciência. A torcida atleticana, acostumada a ver um time combativo e protagonista, não tem digerido bem as atuações apáticas e a falta de resultados. As cobranças aumentam não apenas sobre os jogadores, mas também sobre a diretoria, que ainda não definiu o futuro da comissão técnica após a saída do último treinador.
A sequência que se desenha para o Atlético é desafiadora. Após o clássico pela Copa do Brasil, o time encara uma série de partidas contra concorrentes diretos na luta por uma vaga nas competições internacionais de 2026. Para isso, será necessário mais do que posse de bola e volume de jogo: será preciso eficiência, regularidade e, sobretudo, mentalidade vencedora.
A derrota para o Vitória escancara problemas que se acumulam ao longo da temporada. Faltam soluções em campo e fora dele. A pausa para a data Fifa é, ao mesmo tempo, um alívio e uma oportunidade rara para reorganizar a equipe, recuperar a confiança e corrigir os erros que têm custado pontos preciosos. A resposta precisa ser dada dentro de campo — e logo.
Campeonato: 22ª rodada do Campeonato Brasileiro
Local: Barradão, Salvador
Data: 31, agosto de 2025
Árbitro: Alex Gomes Stefano (RJ)
VAR: Marcio Henrique de Gois (SP)
VITÓRIA:
Lucas Arcanjo; Paulo Roberto (Edu), Lucas Halter, Camutanga e Ramon; Baralhas, Willian Oliveira e Cantalapiedra (Matheuzinho); Erick (Fabri), Osvaldo (Ronald) e Renato Kayzer (Carlinhos).
Técnico: Rodrigo Chagas
ATLÉTICO:
Everson; Natanael (Biel) , Vitor Hugo (Igor Gomes), Alonso e Arana; Alan Franco, Alexsander (Gabriel Menino) e Scarpa (Rony); Cuello, Hulk e Dudu (Reinier).
Técnico: Lucas Gonçalves
Gol: Erick (Vitória)
Cartões amarelos: Baralhas e Willian Oliveira (Vitória); Vitor Hugo, Alexsander e Alonso (Atético)
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Fonte: Balcão News