Inadimplência atinge 4,8 milhões de empresas no Sudeste
Levantamento da Serasa Experian aponta R$ 113,8 bilhões em dívidas
O Sudeste registrou 4,8 milhões de empresas inadimplentes em janeiro, segundo levantamento da Serasa Experian. Ao todo, foram contabilizadas 33 milhões de dívidas negativadas na região, que somaram R$ 113,8 bilhões.
São Paulo concentrou o maior número de empresas em situação de inadimplência, com mais de 3 milhões de CNPJs negativados e cerca de R$ 75 bilhões em débitos. Minas Gerais e Rio de Janeiro aparecem na sequência, com 856 mil e 846 mil empresas inadimplentes, respectivamente. Entre os estados, o Rio de Janeiro registrou o maior ticket médio das dívidas, enquanto São Paulo teve o maior valor médio por empresa.
No cenário nacional, o país somou 8,7 milhões de empresas inadimplentes em janeiro, número inferior ao registrado em dezembro de 2025, quando 8,9 milhões de companhias estavam negativadas. Ao todo, foram 60,1 milhões de dívidas, que alcançaram R$ 201,7 bilhões. Em média, cada empresa tinha 6,9 contas em atraso.
Apesar da leve queda no início do ano, o nível de inadimplência segue elevado. De acordo com a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a redução não indica, necessariamente, uma mudança de tendência.
Segundo ela, a oscilação mensal pode estar ligada a fatores pontuais, como renegociações concentradas no fim do ano, e não a uma melhora estrutural na capacidade de pagamento das empresas.
A dívida média por empresa ficou em R$ 23,1 mil, enquanto o ticket médio das dívidas foi de R$ 3,3 mil — ambos com leve recuo em relação ao mês anterior. A economista explica que janeiro costuma ter menor pressão financeira para as empresas, já que despesas mais relevantes, como encargos trabalhistas, se concentram em dezembro. Além disso, setores como comércio ainda se beneficiam de liquidações e ajustes de estoque, o que ajuda a sustentar o caixa.
Entre os setores, o de serviços lidera a inadimplência, com 55,3% das empresas negativadas, seguido por comércio (32,7%) e indústria (8,1%). Na origem das dívidas, serviços também aparecem na frente, seguidos por bancos e cartões.
Regionalmente, o Sudeste concentra o maior número de empresas inadimplentes, seguido por Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte. A variação entre os estados, no entanto, não foi uniforme na comparação com dezembro. Enquanto algumas unidades registraram queda, outras, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, apresentaram aumento no número de empresas negativadas.
As micro e pequenas empresas seguem como as mais afetadas. Elas representam 95,5% dos CNPJs inadimplentes no país — cerca de 8,3 milhões de empresas — e acumulam R$ 176,1 bilhões em dívidas. Em média, cada uma possui 6,6 contas em atraso.
Para a economista, a maior vulnerabilidade desse grupo está relacionada ao acesso mais restrito ao crédito e à dependência de recursos de curto prazo. Em um cenário de juros elevados e maior seletividade na concessão, a capacidade de renegociação fica reduzida, o que contribui para a concentração da inadimplência entre os pequenos negócios.
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Fonte: Balcão News


