Câmara de BH aprova projeto que proíbe verba pública para shows com apologia ao crime

Câmara de BH aprova projeto que proíbe verba pública para shows com apologia ao crime

Texto passou em 1º turno com 26 votos favoráveis e 10 contrários

O plenário da Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, na última semana, em primeiro turno, o Projeto de Lei 25/2025, que proíbe o financiamento com recursos públicos de shows, bandas e eventos que façam apologia ao crime organizado, facções criminosas, tráfico de drogas, violência, conteúdo sexual explícito ou incentivo ao uso de drogas.

A proposta recebeu 26 votos favoráveis e 10 contrários. Durante a sessão, as discussões foram marcadas por debates acalorados entre os vereadores e manifestações do público que acompanhava a reunião nas galerias.

Autor do projeto, o vereador Vile Santos (PL) afirmou que a iniciativa não pretende proibir estilos musicais nem prejudicar artistas, mas impedir que dinheiro público seja usado para financiar apresentações com conteúdo que, segundo ele, incentive a criminalidade.

“Esse projeto não é para proibir nenhum tipo de ritmo nem prejudicar artistas. Ele busca evitar que a prefeitura financie artistas que façam apologia ao crime e às organizações criminosas”, disse o parlamentar.

Debate entre vereadores

Durante a discussão, parlamentares favoráveis à proposta defenderam que a medida pode funcionar como instrumento de prevenção ao avanço de organizações criminosas.

O vereador Sargento Jalyson (PL) afirmou que o crime organizado utiliza a música como forma de propaganda e recrutamento de jovens.

“O crime organizado se apropriou do funk e usa as letras como propaganda para recrutar jovens. Não vamos permitir que isso aconteça na nossa cidade”, declarou.

Já o vereador Uner Augusto (PL) afirmou que existe uma expansão da influência de facções criminosas em diferentes setores da sociedade e que a proposta reforça a legislação federal existente.

Críticas e acusações de censura

Parlamentares contrários ao projeto argumentaram que a proposta pode representar censura e reforçar estigmas contra manifestações culturais das periferias.

O vereador Helton Junior (PSD) afirmou que a apologia ao crime já é prevista no Código Penal Brasileiro e questionou a necessidade de criar uma nova regra.

“Por que vamos aprovar algo que já é lei? Não faz sentido”, afirmou.

Ele também alertou para o risco de constrangimento a estilos musicais frequentemente associados à juventude periférica.

Na mesma linha, o vereador Pedro Patrus (PT) criticou o projeto e afirmou que a proposta pode acabar criminalizando jovens negros e moradores das periferias. Segundo ele, tanto a Belotur quanto a Secretaria Municipal de Cultura de Belo Horizonte já se posicionaram contra a iniciativa, argumentando que esse tipo de controle já é feito pelo Executivo por meio de editais públicos.

Após a aprovação em primeiro turno, o projeto retorna às comissões da Câmara para análise de emendas. O texto passará pelas comissões de Legislação e Justiça; Educação, Cultura e Turismo; Direitos Humanos; Administração Pública e Segurança Pública antes de voltar ao plenário.

Para ser aprovado em definitivo, o projeto ainda precisa passar por segunda votação, com o apoio mínimo de 21 vereadores.

Outro projeto aprovado

Na mesma sessão, os vereadores também aprovaram, em segundo turno, o Projeto de Lei 683/2026, de autoria da Mesa Diretora da Câmara. A proposta altera a Lei 11.631/2023, que reconhece o esforço dos servidores do Legislativo municipal durante a pandemia.

O texto corrige uma lacuna da legislação anterior, que contemplava apenas servidores em exercício na data da publicação da lei. A nova regra passa a considerar como período aquisitivo, para fins de adicional por tempo de serviço e indenização por término de vínculo, o intervalo entre 28 de maio de 2020 e 31 de dezembro de 2021.

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Fonte: Balcão News