Galo: Na Copa do Mundo – Canabrava em Campo!

Galo: Na Copa do Mundo – Canabrava em Campo!

Galo: Na Copa do Mundo

Quem diria! Enquanto muitos dirigentes por aí ficam rezando para a Copa do Mundo não atrapalhar o seu time, o Atlético Mineiro está olhando para o torneio como fazendeiro olha para chuva em tempo de seca: com esperança de que venha forte e renda muito.

O Galo não vai disputar a Copa, mas vai estar espalhado por ela. Tem jogador convocado para seleção daqui, seleção dali, bandeira de tudo quanto é cor. É o atestado de que o clube voltou a ser fornecedor de matéria-prima para o futebol internacional. Antigamente o sujeito saía do Atlético para virar ídolo na Europa. Hoje continua acontecendo. A diferença é que agora a diretoria presta atenção na conta bancária.

E conta bancária, convenhamos, é assunto que anda frequentando mais os corredores da Arena do que notícia de atraso. Cada convocação vale vitrine. Cada vitrine vale mercado. Cada mercado vale proposta. E cada proposta faz dirigente sorrir mais do que gol aos quarenta e oito do segundo tempo. A janela de transferências vem aí e os telefones dos empresários já estão esquentando mais do que churrasco de inauguração.

Mas a Copa não serve apenas para vender. Serve também para comprar. Enquanto os grandes do mundo estiverem ocupados discutindo quem marca quem, quem joga e quem fica no banco, o Atlético terá tempo para reorganizar a casa, recuperar atletas, observar reforços e preparar um segundo semestre que promete ser completamente diferente do primeiro.

A pausa do calendário chega como uma oficina mecânica para um carro de corrida. Dá para apertar parafuso, trocar peça, alinhar motor e voltar para a pista sem aquele barulho estranho que vinha preocupando a torcida. O técnico ganha semanas preciosas para trabalhar. Coisa rara no futebol brasileiro, onde normalmente o treinador conhece o elenco na segunda-feira e é cobrado pelos resultados na terça.

E tem mais. A Copa também mexe com os cofres. Entre compensações, direitos, premiações indiretas e toda a engrenagem financeira que acompanha a cessão de atletas para seleções, entra dinheiro. Não é aquele dinheiro que resolve todos os problemas do mundo, mas é o suficiente para ajudar a pagar contas, equilibrar planejamento e evitar que alguém precise vender o almoço para comprar o jantar.

Por isso, atleticano, quando a bola da Copa começar a rolar, não pense que o Galo estará parado. Nada disso. O clube estará trabalhando nos bastidores, reformando o elenco, observando oportunidades e preparando uma nova arrancada. Quando o campeonato brasileiro voltar, a torcida poderá encontrar um time diferente, mais forte, mais ajustado e com algumas caras novas vestindo preto e branco.

O futebol tem dessas ironias maravilhosas. Enquanto o mundo inteiro estará olhando para a Copa do Mundo, o Atlético pode estar preparando silenciosamente a sua própria copa particular: a do segundo semestre. E se o planejamento funcionar, o Galo volta do intervalo cantando mais alto do que nunca. Afinal, quando o terreiro está organizado, o galo não canta por acaso. Canta porque sabe que o dia está começando.

Né não?

Afonso Canabrava

Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.

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Fonte: Balcão News