Galo: Sem alma! Canabrava em Campo
Galo: Sem alma!
O Galo no brasileirão anda em campo como quem paga promessa sem fé. Não se fala em título, isso virou assunto de mesa antiga, o que resta é brigar por vaga na Libertadores.
Na Sul-Americana, o retrato é ainda mais nítido: uma vitória, duas derrotas e, pendurada na memória, a final perdida no ano passado, como retrato torto na parede. Não é só campanha irregular é espírito combalido. Time que entra lembrando derrota, normalmente sai confirmando-a.
Na Copa do Brasil, estreou vencendo. Ótimo. Mas vitória isolada, nesse contexto, parece mais exceção do que sinal de rumo. Futebol não se sustenta em lampejo; precisa de sequência, de convicção, de time com alma e isso o Galo está devendo muito.
Agora, olhe o elenco: bem pago, nomes fortes, carteiras recheadas, mas há uma desmotivação que salta aos olhos, dessas que nem treinador esconde na coletiva. E aí vem a ironia: três titulares convocados para suas seleções na Copa do Mundo que começa em 11 de junho deste ano. Ou seja, faltando brilho no clube, mas com prestígio suficiente para vestir camisa de seleção. Coisa que o torcedor não engole fácil.
A janela de contratações abre em 2 de julho e fecha em 11 de setembro. Tempo curto para quem precisa mexer muito. Porque, convenhamos, não é ajuste fino é reforma de estrutura. É trocar grande parte do elenco, rever postura, sacudir vestiário. Time grande não pode conviver com acomodação travestida de estabilidade financeira.
A massa atleticana, que entende de sofrimento como poucos, já farejou o perigo. E torcedor pode até não saber explicar taticamente, mas sente quando o time não responde. E o sentimento que vem das arquibancadas é de apreensão, daquelas legítimas.
Se muita coisa não for feita, o roteiro está desenhado: uma temporada que começou com pouca expectativa pode terminar em verdadeira catástrofe futebolística.
Porque futebol, como dizia no velho rádio, não aceita desaforo. E o Galo, do jeito que está, anda desafiando o próprio destino.
Né não?
Afonso Canabrava
- Instagram: @afonsocanabrava
- Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo, há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.
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Fonte: Balcão News


