Galo: Vai melhorar – com certeza! Canabrava em Campo

Galo: Vai melhorar – com certeza! Canabrava em Campo

Galo: Vai melhorar – com certeza!

Futebol não é ciência de foguete. “O problema do futebol é que inventaram gente demais para explicar o óbvio.” E o óbvio no Atlético, hoje, é que o time continua sendo uma montanha-russa emocional: capaz de jogar como candidato ao título num domingo e como candidato ao rebaixamento na quarta-feira.

Na última janela, o Galo mexeu pesado no elenco. Chegaram nomes importantes como Rony, Cuello, Júnior Santos, Gabriel Menino, Caio Paulista, Natanael, Iván Román e Patrick. O clube buscou velocidade pelos lados, renovação física e mais intensidade no meio-campo.

Mas saíram jogadores que davam lastro ao time: Battaglia, Zaracho, Paulinho, Otávio, Mariano, Bruno Fuchs e Alan Kardec. E aí começa a explicação do desequilíbrio atleticano: o elenco ganhou pulmão, mas perdeu referências táticas e liderança silenciosa.

Por último saiu Hulk: o excelente futebol que jogou no Galo dispensa comentários; de 2025 até a sua saída, na falta de uma contratação, foi obrigado a jogar de costas para o gol; deixo o julgamento a juízo dos torcedores.

A imprensa esportiva mineira vem insistindo num ponto: o Atlético virou um time emocional demais. Quando entra “pilhado”, atropela. Quando toma um golpe, desmonta como castelo de areia.

Contra o Flamengo, na goleada de 4 x 1, o Galo parecia um time sem alma. Marcava mal, deixava espaço entre linhas, os laterais não fechavam e o meio-campo assistia ao jogo. O Flamengo trocou passes como quis. Parecia treino recreativo. Já no clássico contra o Cruzeiro, vencido por 3 x 1, apareceu o outro Atlético: agressivo, compacto, brigador, com pressão alta e intensidade. O time mordeu desde o primeiro minuto e jogou “com sangue nos olhos”.

E aí vem o empate com o Juventude, depois de abrir 2 x 0, que resume perfeitamente o momento psicológico do elenco. O Atlético desligou mentalmente. Recuou cedo demais, perdeu combate no meio, começou a rifar bola e chamou o adversário para cima. Time grande que recua sem saber defender sofre. Sempre sofreu.

A pergunta inevitável: Eduardo dominguez escalou mal? “Treinador não desaprende futebol do domingo para a quarta. Mas também não pode inventar.”

A crítica da mídia ao treinador gira principalmente em três pontos:

– insistência em esquemas excessivamente cautelosos fora de casa;
– demora para mexer no time quando o adversário cresce;
– excesso de improvisações no meio-campo.

Contra o Juventude, por exemplo, o uso de uma linha de cinco defensores acabou empurrando o Atlético para trás. O time entregou campo, perdeu posse e deixou o adversário crescer emocionalmente. Quando quis reagir, já estava acuado.

O problema, porém, não parece ser apenas tático. Há quem diga que o Galo sofre de “síndrome de salto alto”. Quando entra desacreditado, compete ferozmente. Quando começa favorito, relaxa.

Sobre a próxima janela, os bastidores apontam possíveis saídas de jogadores que ainda não convenceram plenamente ou possuem mercado externo. Alguns nomes especulados pela imprensa incluem atletas de meio-campo e atacantes que perderam espaço após as chegadas recentes. Já para reforços, fala-se na busca por: um volante mais marcador; um zagueiro rápido. No ataque vai depender muito do que Minda e Cassierra vão mostrar até a janela.

O diagnóstico da mídia é quase unânime: o Atlético tem elenco para jogar muito mais do que joga. O problema é transformar lampejos em regularidade.

“Time grande não pode ter personalidade de sanfona. Não dá para tocar Beethoven num dia e desafinar em festa de interior no outro. Futebol é coragem, organização e vergonha na cara. O Atlético tem futebol. Precisa descobrir se tem equilíbrio.”

Ne não?

Afonso Canabrava

  • Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.
  • As opiniões contidas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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Fonte: Balcão News