Mas acumula queda de 2,6% no ano
A construção civil de Minas Gerais cresceu 0,3% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano. O resultado ficou acima do registrado no país, onde o setor recuou 0,4% no mesmo período. Apesar do avanço recente, a atividade mineira ainda acumula retração de 2,6% no primeiro semestre, enquanto o Brasil registra crescimento de cerca de 1%.
Os dados estão no Boletim Setorial da Construção, elaborado pela Gerência de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). O levantamento aponta uma recuperação gradual do setor, ainda limitada pela queda nas vendas de materiais e pela pressão dos custos.
No acumulado do ano, as vendas de materiais de construção recuaram quase 2% em Minas Gerais, ante uma queda de 0,8% no Brasil. Os custos também continuam elevados. O Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M) acumulou alta de aproximadamente 6,7% em 12 meses até junho.
Infraestrutura impulsiona empregos
O mercado de trabalho apresenta um cenário mais positivo. Entre janeiro e julho, a construção civil mineira registrou saldo de 21,6 mil empregos, contra 20,7 mil no mesmo período de 2025, crescimento de aproximadamente 4%.
O principal destaque foi o segmento de obras de infraestrutura. O saldo de empregos passou de 7,3 mil para 11,3 mil postos, uma alta superior a 55%.
Em sentido contrário, a construção de edifícios perdeu força e apresentou queda de cerca de 70% no saldo acumulado de empregos na comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, os números mostram uma melhora recente, mas ainda insuficiente para compensar o desempenho negativo acumulado no ano.
“A construção mineira apresentou avanço no segundo trimestre e o mercado de trabalho também mostrou melhora, principalmente nas obras de infraestrutura. Ainda assim, o desempenho acumulado segue negativo e indica que a recuperação ocorre de forma gradual”, afirmou.
Recuperação depende de financiamento e demanda
A infraestrutura aparece como uma das principais mudanças no comportamento do setor em 2026. Depois de perder força em 2025, o segmento voltou a apresentar crescimento a partir do segundo trimestre.
Já a construção de edifícios passou a concentrar a maior perda de dinamismo, refletindo a desaceleração da atividade no segmento.
Para os próximos meses, a expectativa da FIEMG é de que a construção civil mineira encerre 2026 próxima da estabilidade. Programas habitacionais e investimentos em infraestrutura devem ajudar a sustentar o setor, mas uma recuperação mais consistente dependerá de condições mais favoráveis de financiamento e da retomada da demanda privada.
“ A perspectiva é de uma melhora gradual até o fim do ano. A infraestrutura deve continuar contribuindo para a atividade, mas uma retomada mais consistente depende de condições mais favoráveis de financiamento e de uma recuperação da demanda privada”, destacou Pio.
O estudo completo da FIEMG está disponível para consulta.
Leia também:












Comentar matéria