Monomotor caiu no pátio de manutenção do Metrô de BH, logo depois avião da PMMG caiu em Santana do Paraíso, no Vale do Aço
Dois acidentes aéreos registrados nesta sexta-feira (9 de outubro) deixaram quatro pessoas mortas em Minas Gerais. O primeiro ocorreu no fim da manhã, em Belo Horizonte, quando um avião monomotor caiu no pátio de manutenção do Metrô, na região da Estação São Gabriel, na Região Nordeste da capital. O piloto, único ocupante da aeronave, morreu no local.
Horas depois, no período da tarde, um avião do Comando de Aviação do Estado (Comave), da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), caiu nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso, na região de Ipatinga. Os três militares que estavam a bordo morreram.
As duas ocorrências mobilizaram equipes de emergência e serão investigadas para esclarecer as circunstâncias e as causas das quedas. Os acidentes aconteceram no mesmo dia, mas em locais e horários diferentes.
Monomotor caiu no pátio de manutenção do Metrô de BH
O primeiro acidente ocorreu por volta das 11h15, no complexo de manutenção do Metrô de Belo Horizonte, no bairro São Gabriel. O avião, um Embraer EMB-711ST Corisco II Turbo, de matrícula PT-VHE e fabricado em 1988, havia decolado do Aeroporto da Pampulha.
O plano de voo previa uma viagem até Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com retorno à Pampulha. A aeronave, de uso privado e com capacidade para quatro pessoas, caiu após percorrer cerca de um quilômetro.
Segundo relatos de testemunhas, o avião voava baixo e emitiu estalos ou estouros antes de atingir a estrutura de um galpão de manutenção e a rede elétrica. Em seguida, caiu sobre uma linha secundária de trilhos utilizada para manobras de vagões e pegou fogo.
O piloto, que estava sozinho a bordo, morreu carbonizado. Não houve registro de funcionários ou passageiros do metrô feridos.
O Corpo de Bombeiros controlou as chamas com espuma. Cerca de 400 trabalhadores foram retirados temporariamente da área por segurança. Apesar do acidente, a circulação dos trens não foi interrompida.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) iniciou os procedimentos para apurar as causas da queda. A Polícia Civil também investiga o caso. Informações preliminares indicaram que a documentação da aeronave estava regular junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), condição que não descarta eventual problema mecânico ou operacional.
Avião da PMMG caiu no Vale do Aço
O segundo acidente aconteceu na tarde desta sexta-feira, nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso. A aeronave da Polícia Militar havia decolado do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, com destino à região de Ipatinga.
O avião era um bimotor Beechcraft King Air 300, de prefixo PP-EJO, utilizado pelo Comando de Aviação do Estado em atividades da corporação. Dados de monitoramento aéreo indicam que a decolagem ocorreu às 15h16. O percurso tinha duração estimada de 43 minutos.
A queda ocorreu durante a aproximação do aeroporto de destino. Após atingir o solo, a aeronave pegou fogo. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram mobilizadas para atender à ocorrência.
Os três ocupantes morreram no local. As vítimas foram identificadas como a primeira-tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende, de 35 anos; o coronel Luis Silvestre, de 49; e a tenente Alice Almeida, de 34. Os três integravam o Comave.
Gabriela era piloto e mãe de duas crianças. Ela havia retornado recentemente ao trabalho após a licença-maternidade pelo nascimento do segundo filho. Em fevereiro de 2023, tornou-se a primeira mulher da PMMG habilitada a pilotar aeronaves de asa fixa.
Luis Silvestre comandava o Esquadrão de Aviões do Comave e acumulava mais de 24 anos de atuação na Polícia Militar, dos quais 19 dedicados à aviação de segurança pública. Também trabalhava como instrutor de voo e examinador credenciado pela Anac.
Alice Almeida nasceu em Governador Valadares e cresceu em Caratinga, no Vale do Rio Doce. Antes de ingressar no oficialato da Polícia Militar, serviu por sete anos no Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.
Investigações devem esclarecer as causas
Os dois acidentes terão suas circunstâncias apuradas pelas autoridades competentes. No caso da queda no pátio do Metrô de Belo Horizonte, os investigadores deverão analisar as condições do voo, os destroços e os fatores que podem ter contribuído para a perda de altitude.
No acidente com a aeronave da Polícia Militar, a investigação também deverá examinar os dados do voo e as condições da operação até a aproximação do Aeroporto Regional do Vale do Aço.
Até o momento, não há confirmação de uma relação entre as duas ocorrências. O fato de os acidentes terem acontecido no mesmo dia não significa que tenham causas em comum.
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