E preocupa setor de restaurantes
O Brasil chegou a agosto de 2026 com 83,9 milhões de pessoas inadimplentes, o equivalente a 51% da população adulta, segundo dados do Serasa. Em 2016, eram 59 milhões. No mesmo período, o volume de dívidas em atraso passou de R$ 348 bilhões para R$ 592 bilhões, alta real de 70,1%.
Para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o avanço do endividamento pode afetar o faturamento do setor nos próximos meses. A entidade avalia que, com uma parcela maior da renda comprometida com dívidas, gastos com refeições fora de casa podem ser reduzidos.
“O endividamento das famílias é uma bomba-relógio. Ainda não explodiu no caixa dos restaurantes porque o emprego segue firme. Mas cada real que vai para uma dívida atrasada deixa de ir para a mesa do bar”, afirma Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.
Crédito e juros pressionam orçamento
Dados do Banco Central mostram que o volume de crédito concedido a pessoas físicas passou de R$ 213,7 bilhões em 2011 para R$ 406,4 bilhões em julho de 2026, crescimento de 90%. Com os juros elevados, o comprometimento da renda também aumentou.
Em junho, as famílias destinavam 28,85% da renda ao pagamento de dívidas, considerando juros e amortizações. Segundo a Tendências Consultoria, em fevereiro de 2026 restavam 21% da renda após o pagamento de despesas essenciais, impostos e dívidas — o menor nível desde o início da série, em 2011.
Apostas também afetam o consumo
Outro ponto de preocupação é o crescimento das apostas online. Estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que as bets retiraram R$ 143 bilhões do varejo entre janeiro de 2023 e março de 2026.
Segundo a CNC, 270 mil famílias também chegaram à inadimplência severa, com atrasos superiores a 90 dias.
O impacto é maior entre consumidores de menor renda. De acordo com o Serasa, 78% dos endividados ganham até dois salários mínimos, faixa importante para estabelecimentos como restaurantes populares, self-services e lanchonetes.
Empresas também enfrentam dificuldades
A pressão financeira chega aos próprios bares e restaurantes. Pesquisa da Abrasel realizada em agosto aponta que 37% dos estabelecimentos têm pagamentos em atraso. Entre os débitos, aparecem impostos federais (75%), estaduais (51%) e empréstimos bancários (32%).
Ao mesmo tempo, muitos estabelecimentos têm limitado os reajustes para evitar a perda de clientes. Nos 12 meses anteriores à pesquisa, 36% dos bares e restaurantes não aumentaram os preços.
Para a Abrasel, o cenário de endividamento das famílias e dificuldade das empresas em repassar custos pode pressionar o faturamento e, posteriormente, o nível de emprego no setor.
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