Vereadoras cobram transparência do TJMG sobre julgamentos de estupro de vulnerável

Vereadoras cobram transparência do TJMG sobre julgamentos de estupro de vulnerável

Requerimento de Luiza Dulci pede estatísticas dos últimos cinco anos

A Comissão de Mulheres da Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, na última quinta-feira (26/2), pedido de informações direcionado ao presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), desembargador Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Júnior.

De autoria da vereadora Luiza Dulci (PT), o requerimento solicita esclarecimentos detalhados sobre julgamentos de casos de estupro de vulnerável realizados pela Corte em segunda instância nos últimos cinco anos.

Segundo a parlamentar, o pedido foi motivado por uma decisão recente do TJMG que absolveu um réu acusado do crime. “As manifestações contrárias a essa decisão ganharam repercussão nacional, o que reforça o alerta sobre a possibilidade de outras decisões no mesmo sentido”, afirma Luiza no texto.

Dados estatísticos e eventual apuração disciplinar

O requerimento pede informações estatísticas consolidadas e anonimizadas sobre os processos julgados no período, incluindo:

  • número total de ações apreciadas em segunda instância;
  • quantas decisões de primeira instância resultaram em condenação e quantas em absolvição;
  • quantas condenações foram reformadas para absolver os réus;
  • quantas absolvições foram mantidas;
  • e, do total, quantos casos tiveram origem na Comarca de Belo Horizonte.

Além das estatísticas, os vereadores questionam se há processo administrativo disciplinar instaurado para apurar a conduta do desembargador relator do acórdão que motivou a controvérsia e, em caso positivo, pedem que o resultado seja informado após a conclusão.

“Naturalização da violência”

Durante a reunião, Luiza Dulci citou dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo os quais mais de 34 mil crianças e adolescentes de 10 a 14 anos vivem em união conjugal no Brasil.

“Sabemos que esse caso não é isolado, é fruto de uma naturalização de violências”, declarou.

No texto do requerimento, a vereadora argumenta que o acesso a dados consolidados não configura interferência na independência do Judiciário, mas fortalece os princípios da publicidade, da legalidade e da responsabilidade institucional. Ela sustenta ainda que informações estatísticas sobre a atuação do sistema de Justiça são fundamentais para avaliar e aprimorar políticas públicas de proteção integral de crianças e adolescentes.

Repercussão e revisão da decisão

Após a repercussão do caso, o desembargador Magid Nauef Láuar acolheu recurso do Ministério Público de Minas Gerais e restabeleceu a condenação de um homem de 35 anos acusado do crime contra uma menina de 12, em Indianópolis, no Triângulo Mineiro.

Mesmo com a mudança no resultado, a instauração de procedimento de apuração no âmbito do Conselho Nacional de Justiça e a repercussão nacional do episódio, segundo a vereadora, evidenciam a relevância institucional do tema e o interesse público na transparência das informações.

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Fonte: Balcão News