Deputados mineiros não votam PL da Recuperação Fiscal do Estado

Deputados mineiros não votam PL da Recuperação Fiscal do Estado

Apesar do retorno das atividades do Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na tarde de ontem, quinta-feira, não ocorreu a votação, em segundo turno, do Projeto de Lei (PL) 1.202/19, que autoriza a adesão do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

A sessão foi encerrada pelo presidente da ALMG, deputado Tadeu Martins Leite (MDB), após a divulgação da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kássio Nunes Marques, que adiou o prazo para a adesão de Minas ao RRF e para a retomada do pagamento da dívida de R$ 165 bilhões do Estado com a União.

Este prazo foi postergado até o julgamento do caso pelo Plenário do STF, previsto para ocorrer a partir de 28 de agosto.

O PL, de autoria do governador Romeu Zema, foi proposto como uma alternativa para evitar a retomada do pagamento da dívida principal, que o governador considera uma ameaça de colapso financeiro, podendo comprometer a prestação de serviços públicos pelo Estado.

Embora o presidente da ALMG, deputado Tadeu Martins Leite, não tenha descartado a aprovação do projeto, ele já indicou que a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal é vista pelos deputados como uma última opção. Isso porque o regime apenas suspende temporariamente o pagamento da dívida, que seria retomado de forma gradual ao longo de nove anos, culminando em uma dívida ainda maior, estimada em R$ 210 bilhões ao final do período.

Os deputados estaduais preferem o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), proposto pelo presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), após negociações entre os governos estadual e federal, com a participação direta da ALMG e do Senado.

O Propag deve começar a tramitar no Senado ainda em agosto e oferece um abatimento de mais de 20% da dívida através da federalização de empresas públicas, além de prever que até 1% dos juros da dívida seja revertido em investimentos no estado devedor e aplicado em um fundo compartilhado para atender todos os estados.

A decisão do ministro Nunes Marques de adiar o prazo para a adesão ao RRF proporcionou à Assembleia mais tempo para deliberar sobre o PL 1.202/19. A crítica ao Regime de Recuperação Fiscal é que ele oferece apenas um alívio temporário sem reduzir o montante da dívida ou alterar os indexadores, aumentando a dívida de Minas de R$ 165 bilhões para R$ 210 bilhões ao final de nove anos. Em contraste, o Propag oferece condições mais favoráveis e sustentáveis para a gestão da dívida do Estado.

Fonte: Balcão News

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