Trabalhadores da educação básica de Minas Gerais reivindicam recomposição salarial de 41,83%
Pedido ocorre em meio ao anúncio do governo de reajuste de 5,4% para todo o funcionalismo público
Durante audiência pública ontem, terça-feira (17/3/26), trabalhadores representados pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) pediram à Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a recomposição salarial de 41,83% para profissionais da educação básica, correspondente às perdas acumuladas entre 2019 e 2025.
Em greve há duas semanas, os servidores defendem o reajuste para todos os níveis e carreiras. Para a coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Denise Romano, a demora nas negociações é injusta e prejudica a categoria. “É muito duro um processo de negociação que não acontece. Isso é violento e não pode ser normalizado”, afirmou.
Romano destacou que, em cerca de seis anos, a gestão do governador Romeu Zema (Novo) deixou de investir mais de R$ 24 bilhões na educação, devido a renúncias fiscais que somam quase R$ 100 bilhões. Ela ainda alertou que a situação desmotiva os profissionais a seguirem na carreira. “As pessoas estão preferindo rodar em aplicativos de transporte a dar aula. Isso não é um problema?”, questionou.
O debate também abordou o leilão de 95 escolas estaduais, previsto para 25 de março na B3, em São Paulo. As unidades estão distribuídas em 34 municípios e atendem cerca de 70 mil estudantes. Segundo o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Luiz Fernando de Souza Oliveira, “é um acinte viver em um Estado que paga os mais baixos salários para profissionais da educação e um dos mais altos salários para governador no Brasil”.
O tema ocorre em meio ao anúncio do governo de reajuste de 5,4% para todo o funcionalismo público estadual, abrangendo cerca de 673 mil servidores ativos, inativos e pensionistas, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2026. Para a presidenta da comissão, deputada Beatriz Cerqueira, o percentual é insuficiente diante da precarização estrutural e das distorções salariais acumuladas.
Apesar do reconhecimento do esforço dos professores e do anúncio de novos concursos, a subsecretária de Gestão de Recursos Humanos da Secretaria de Educação, Gláucia Cristina Ribeiro, e o subsecretário de Gestão de Pessoas da Seplag, Caio Campos, não se comprometeram com agenda de negociação, nem definiram data para receber líderes sindicais.
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Fonte: Balcão News


