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Profissão: ARTISTA
Quem são Luísa, Derlaney, Stephanie? – que realizam o seu ofício no Estação Camargos e para além: inspirar à sensibilidade da alma e promover boas recordações
Reunidos por Marcos Donato para promoverem, juntos, espetáculos no Estação Camargos, a trupe formada por Derlaney Júnior, Luísa Lagoeiro e Stephanie Resende possui uma extensa bagagem de conhecimento e experiência desenvolvendo e difundindo cultura.
Cada um deles caminhou diligentemente e, ainda que sejam jovens em aparência, há uma maturidade impressionante na atitude.

Luísa Lagoeiro é atriz e seu desenvolvimento artístico se deu desde a infância, estudando teatro em diversos cursos disponíveis. Formada em Turismo pela UFMG, constatou não ser a sua vocação o resumo desta faculdade, e fazendo outro curso de Teatro decidiu para si:
“Nossa… É isso! Já estava mais velha… Uai, isso pode ser uma profissão! Que loucura!”, afirma ela com excelente humor.
“Eu trabalho com uma distribuidora de livros, que tem um projeto de incentivo à leitura que se chama Sala de Literatura – a Clássica Distribuidora de Livros. Então eu estou lá durante a semana, de dia (né), ou também estou na dublagem – também sou dubladora (dublo na Scriptus, que é um estúdio de dublagem aqui de BH)…”, diz Luísa.
Continua:
“Além disso, faço contação de estórias – às vezes sou contratada para isto. Faço publicidade, cinema… coisas de audiovisual…! Então (assim) não tenho rotina, não.”, e conclui com riso solto e simpático.

Por conseguinte, Derlaney Júnior nos conta um pouco de sua “não-rotina”:
“Não tem muita rotina: É um trabalho que você meio que vai batendo de porta em porta para você tentar ter oportunidades…”, e continua:
“Eu trabalho em vários outros lugares também… Porque às vezes em um lugar que você trabalha, vai ter em uma semana; mas naquele mesmo lugar, você não tem nas próximas duas. Você vai ter que ir achando vários lugarzinhos pra você ir trabalhando… e você vai meio neste estilo freelancer: você é um prestador de serviços.”.
Ele esclarece neste ponto, mas alinha o tempo útil para cumprir compromissos pessoais e aperfeiçoamento técnico, formando para licenciatura em Teatro pela UFMG.
“Acho que tem poucos lugares… aqui em BH acho que é o único que tem licenciatura em Teatro, mesmo. E lá eu estou fazendo… Em nome de Deus, quero finalizar em breve!”.
Derlaney estudou no Teatro Universitário conhecendo Marcos Donato a tempo, o que justificou a conexão para realizarem a demanda no Estação, mas ele também dubla e desenvolve outros projetos que o inclui como um empreendedor, oferecendo um serviço que visa entreter ao mesmo tempo que canalizar aos convivas de festividades sensações positivas por intermédio da dramaturgia aplicada.
“Eu tenho uma empresa que tem mais ou menos 2 anos que eu estou entrando com ela (mais ou menos) no mercado chamada Tablado Produções Cênicas. (…) Eu confecciono os figurinos; eu que faço a produção…”.
A Tablado Produções, segundo Derlaney:
“Ela tenta oferecer apresentações, performances – experiências artísticas pro público em geral. (…) No momento o meu foco é trabalhar mais com eventos: aniversários, empresas, condomínios, shoppings – pessoas que tenham vontade de levar arte ao seu ambiente…”.
Todos do elenco se posicionam em múltiplas posições buscando o melhor aproveitamento do espaço no tocante ao trabalho proposto.

Stephanie Resende se estabelece como uma artista polivalente, iniciando na dança e seguindo no seu aperfeiçoamento como cantora até o momento em que também se estabeleceu como atriz.
Tendo trabalhado no hospital municipal de Contagem, hoje ela se apresenta no projeto cultural do Estação, tão somente.
Ainda que esteja dedicada a uma tarefa sobremaneira satisfatória que lhe exige também foco: ser mãe.
Diz ela:
“Sou mãe – então já ocupa uma grande parte do dia!… Sou enfermeira, também – mas eu parei de trabalhar como enfermeira; voltei a dar aula de dança. E este ano eu dei uma parada com tudo e estou só com isto aqui, por enquanto.”, conta referindo-se aos espetáculos que ocorrem no Estação Camargos.
Stephanie começou no balé aos 7 anos de idade, nunca cessando esta atividade apesar de esporádicos e breves hiatos na dança.
O teatro musical foi o seu começo na dramaturgia, formando-se no CEFAR em um curso técnico de dança em 2011 concomitantemente ao de enfermagem – começando, logo na sequência, a trabalhar.
“A minha vida com o teatro começou a partir do teatro musical mesmo, que eu comecei como bailarina, como ensemble…”

Ser um artista não se trata necessariamente de se obter fama ou ser bem sucedido financeiramente entretendo as pessoas. Evidentemente que estes são momentos que resultam de um processo de esforço por parte do indivíduo e até sorte no que se refere ao destino.
A função exige dedicação e somente quem admite poder aprender com cada instante passageiro será capaz de ser feliz na demanda.
Pois este aprendizado significa obter conhecimento técnico, aprimoramento no lidar com cada ser humano que surge para pedir ou conceder qualquer coisa importante ou aparentemente inútil.
Um músico ou ator não vai muito longe caso queira apenas se apresentar ao público; o treinamento e a prática, a leitura e a solitude também são fundamentais na formação do artista.
Derlaney arremata sabiamente:
“Eu acho que a gente tem que fazer de tudo um pouco pra tentar viver: é muito difícil viver de arte no Brasil. Então se a gente não for caçando caminhos possíveis, que a gente tente aprender a tentar viver daquilo, eu sinto que se torna mais difícil ainda viver.”.
E conclui:
“E a gente quer ter uma qualidade legal de vida: a gente quer ter um carrinho, um plano de saúde… igual a todos os brasileiros. Só que de arte parece que é um pouco mais difícil… porque além da falta de valorização que a gente tem no geral, a rotina é diferente, as formas de trabalho são diferentes.”.
A este ponto, Luísa arremata:
“A gente faz muitas outras coisas: Stephanie já trabalhou de enfermeira; eu, de garçonete – a gente tenta várias coisas. Nesse momento, agora, a gente tá conseguindo viver da arte. Então, neste momento o que eu sinto é: estou tentando pagar as contas; ter um pouco de qualidade de vida; conseguir ter um tempo de descanso. Ainda estou tentando manejar isto, porque é muito difícil – a gente precisa fazer mil coisas…!(…) Às vezes é 7×7 a jornada…”.
Artista: profissão!
Tiago Boson
- O colaborador Tiago Boson é multi-instrumentista autodidata, compositor, professor de música, pintor, ilustrador, escritor/poeta (não publicado). Fotos: Thiago Boson.
E-mail: [email protected]
Instagram: @tiagoboson
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Fonte: Balcão News