
Seleção Brasileira: Difícial, porém possível! Canabrava em Campo
Seleção Brasileira: Difícial, porém possível!
O futebol tem dessas coisas. Quando a gente acha que encontrou o caminho para o paraíso, aparece um buraco no meio da estrada. E quando imagina que está tudo perdido, surge um sujeito de chuteiras que resolve a parada em dois minutos. É por isso que a bola continua sendo redonda e o palpite continua sendo de graça.
Não restam dúvidas de que Carlo Ancelotti está entre os técnicos mais competentes do planeta. O currículo do italiano não cabe numa estante comum. O problema é que Copa do Mundo não se ganha com currículo, fotografia de troféu ou entrevista coletiva bem-comportada. Copa do Mundo se ganha com jogadores capazes de decidir quando o jogo aperta e a camisa pesa.
Até agora, a Seleção Brasileira apresentou mais dúvidas do que certezas.
Contra o Marrocos, fez um primeiro tempo tão sem graça que parecia amistoso de final de temporada entre funcionários do Banco do Brasil e da Receita Federal. Faltou intensidade, criatividade e, principalmente, personalidade. O Brasil ficou rodando a bola como quem procura vaga em shopping lotado no sábado à tarde.
Contra o Haiti a situação melhorou apenas na estatística. O segundo tempo foi defensivo demais para uma seleção que veste amarelo e carrega cinco estrelas no peito.
Quem vê o Brasil recuado contra adversários desse porte fica com a sensação de que alguma coisa está fora do lugar.
Ancelotti certamente está observando, anotando e planejando. É um treinador experiente demais para ignorar os sinais. Mas o relógio não para. Copa do Mundo não espera ninguém.
E aqui entra um assunto delicado.
Alguns jogadores estão muito aquém do que se espera de um elenco mundialista.
Em determinados momentos, dá até para defender a tese de que um Neymar contundido ainda assusta mais os adversários do que certos atletas plenamente saudáveis.
Não se trata de perseguição. Trata-se de rendimento.
Até agora, nomes como Richarlison, Bruno Guimarães, Raphinha, Gabriel Martinelli e até Rodrygo estiveram abaixo do esperado em boa parte do tempo. Uns erraram tecnicamente. Outros desapareceram da partida. Alguns simplesmente não conseguiram transformar talento em futebol.
É claro que ninguém desaprende a jogar. Mas a Copa não costuma ter paciência com quem demora a acordar. Se existe alguém que merece escapar das críticas, esse alguém atende pelo nome de Vinícius Júnior.
Foi o único jogador capaz de criar desequilíbrio, acelerar o jogo, encarar marcadores e produzir algo diferente. Enquanto muitos pareciam preocupados em não errar, Vinícius parecia preocupado em ganhar.
E futebol é isso.
Quem entra em campo para não errar normalmente acaba errando.
Quem entra para ganhar pode até falhar, mas ao menos obriga o adversário a trabalhar.
O próximo compromisso contra a Escócia merece atenção especial.
Historicamente, os escoceses não têm o brilho técnico dos grandes favoritos, mas compensam com organização, intensidade e uma disposição física que transforma qualquer partida em batalha campal. Se o Brasil repetir a lentidão mostrada contra o Marrocos e os momentos de acomodação vistos diante do Haiti, o sinal de alerta deixará de ser amarelo para ficar vermelho.
Ninguém está falando em desastre inevitável.
Mas também não dá para fingir que tudo vai às mil maravilhas.
O fantasma do 7 a 1 continua morando nos porões da memória nacional. Não porque a Escócia tenha condições de aplicar uma goleada histórica, mas porque o futebol costuma punir seleções que acreditam mais na camisa do que no desempenho.
A boa notícia é que ainda existe tempo.
Ancelotti conhece o ofício.
Vinícius Júnior atravessa grande fase.
O elenco tem qualidade.
E futebol continua sendo o único esporte em que uma semana pode transformar crise em euforia.
Portanto, a situação é exatamente esta:
Difícil? Sem dúvida.
Preocupante? Em alguns momentos, sim.
Irreversível? Nem de longe.
A Seleção ainda pode crescer, encaixar e chegar forte quando realmente importar.
Mas para isso será necessário jogar futebol.
Porque tradição ajuda.
Camisa pesa.
História impressiona.
Mas quem vence partida é jogador jogando bola.
E isso, até agora, só apareceu em prestações.
Né não?
Afonso Canabrava
Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.
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Fonte: Balcão News





