Atlético e América no espelho do Mineiro – por Afonso Canabrava
Atlético e América no espelho do Mineiro
Atlético e América se encontraram na quarta-feira mais uma vez, e o que se viu foi um jogo que oscilou entre a obrigação de vencer e a dificuldade de convencer.
O Atlético entrou em campo com a postura de quem “tem que ganhar”: Mais elenco; mais investimento; mais cobrança. Mas também mais ansiedade e a falta de um pivô. A bola girava, girava e raramente chegava a finalizações. Faltou velocidade, faltou profundidade, faltou, sobretudo, ousadia. Em muitos momentos, o Galo parecia jogar com o peso da própria camisa: pesado e previsível, como no ano passado.
Ainda assim, quando o Atlético acelerava, ele lembrava por que é favorito. Houve lampejos. A movimentação pelos lados melhorou no segundo tempo, e a pressão finalmente empurrou o América para trás. O problema é que o time cria pouco para quem tem tanto talento. Domina, mas não finaliza com a naturalidade que se espera. Cadê o Home para tabelar com Hulk?
Do outro lado, o América fez o que sabe fazer melhor enfrentando o rival mais rico: organização e resistência. Não foi um Coelho covarde. Soube fechar espaços, travar o meio e explorar os erros do Galo. Em alguns momentos, foi até mais lúcido na construção das jogadas. Faltou, no entanto, coragem na última bola. Chegava, mas finalizava mal.
O jogo teve cara de clássico mineiro moderno: muito estudo, pouca espontaneidade, mais estratégia do que emoção. Não foi feio, mas esteve longe de ser memorável. A tensão foi maior que a inspiração.
No fim, fica a sensação de que ninguém saiu totalmente satisfeito. O Atlético não somou o que precisava e também não mostrou o futebol que sua torcida exige. O América competiu, se impôs em alguns momentos, mas deixou escapar a chance por ser menos ousado.
Clássico não se joga, se sobrevive, dizem. Nesse jogo, os dois sobreviveram. Mas o Galo ainda precisa provar que sabe encantar.
No Final, briga em campo, porque o Valentim, técnico do América, chamou o Sampaoli de baixinho.
Tensão né?
Afonso Canabrava
Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.
Instagram: @afonsocanabrava
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Fonte: Balcão News


