Câmara Municipal lança campanha sobre os 35 anos da Lei Orgânica de BH

Câmara Municipal lança campanha sobre os 35 anos da Lei Orgânica de BH

Ao completar 35 anos desde a promulgação da sua Lei Orgânica, a capital mineira lança um olhar atento sobre as transformações políticas, sociais e administrativas que moldaram sua trajetória. Para marcar essa data emblemática, a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) lançou, em 10 de março, uma campanha institucional com o mote “Há 35 anos, a Lei Orgânica de BH garante seus direitos como cidadão. Reivindique e faça sua voz ser ouvida”.

A ação publicitáriada Lei Orgânica, veiculada estrategicamente em painéis de LED, outdoors, bancas e outros pontos de grande circulação urbana, não é apenas uma homenagem simbólica. Trata-se de uma convocação direta à sociedade civil para conhecer, defender e fazer valer seus direitos constitucionais, como forma de fortalecimento do processo democrático local.

Lei Orgânica: A Constituição da Cidade

A Lei Orgânica do Município de Belo Horizonte (LOMBH) é o documento mais importante no arcabouço jurídico municipal. Ela desempenha um papel semelhante ao da Constituição Federal, porém no âmbito local, sendo responsável por definir o modelo de organização dos poderes Executivo e Legislativo, além de disciplinar temas como orçamento público, serviços urbanos, planejamento, meio ambiente, cultura, assistência social e educação.

Promulgada em 21 de março de 1990, logo após o período de redemocratização do Brasil, a LOMBH é fruto de um processo histórico repleto de escuta popular, diálogo plural e engajamento de movimentos sociais. Sua construção foi marcada por uma intensa mobilização cidadã, que refletia os anseios da população de participar efetivamente da reconstrução do país a partir de suas cidades.

Patrus Ananias e a gênese da LOMBH

Um dos protagonistas deste momento foi o então vereador Patrus Ananias, relator da LOMBH e hoje deputado federal. Em seus relatos, Patrus relembra com emoção o envolvimento direto da população na elaboração da nova ordem jurídica do município.

“A Lei Orgânica foi escrita com o povo, com os trabalhadores, com os movimentos sociais. Visitamos comunidades, favelas, vilas, fizemos escuta pública, construímos um pacto social a partir da escuta e do respeito”, recorda Patrus.

Essa abordagem colaborativa permitiu que a lei contemplasse políticas públicas inovadoras para a época, como o Orçamento Participativo, a obrigatoriedade de atendimento gratuito em creches e pré-escolas para crianças de zero a seis anos, e a garantia de acesso universal ao ensino fundamental, entre outras conquistas que refletem a centralidade do ser humano nas políticas municipais.

Avanços ao longo das décadas

Desde sua promulgação, a Lei Orgânica de BH passou por 43 emendas, todas com o objetivo de adequá-la às novas demandas sociais, econômicas e culturais. A mais recente delas, a Emenda 43/2025, representa um verdadeiro divisor de águas na gestão participativa do município.

Proposta por iniciativa do ex-vereador Wilsinho da Tabu e coassinada por mais de 20 parlamentares, essa emenda alterou o percentual da receita corrente líquida destinado ao Orçamento Participativo, que passou de 0,2% para 1%. Essa mudança não apenas multiplica por cinco os recursos disponíveis, como torna obrigatória a sua execução, assegurando que as escolhas populares se convertam em obras e ações concretas.

“Essa medida é uma revolução silenciosa que amplia a capacidade da população de decidir sobre sua própria cidade”, afirma Wilsinho.

Jovens parlamentares e o futuro da LOMBH

O espírito de renovação que marcou a origem da Lei Orgânica continua vivo. A presença de jovens lideranças no Parlamento, como o vereador Helton Júnior (PSD), de apenas 24 anos, é prova disso. Nascido no Bairro Lindéia, na periferia de BH, o parlamentar representa uma nova geração comprometida com a equidade, a justiça social e a inovação legislativa.

“Ser um jovem negro, vindo da periferia, debatendo e propondo melhorias para a Lei Orgânica é, para mim, um símbolo de como a democracia pode ser inclusiva”, afirma Helton.

Ele integra atualmente a comissão especial que analisa a Proposta de Emenda à Lei Orgânica nº 1/2025, de autoria da vereadora Luiza Dulci (PT) e outros 13 parlamentares, que visa garantir o acesso universal à água potável como um direito humano essencial, relacionado ao bem-estar, à dignidade e ao desenvolvimento econômico e social.

O papel da participação cidadã

A campanha dos 35 anos da LOMBH reforça um aspecto central da Constituição Municipal: a participação direta do cidadão nos rumos da cidade. Esse envolvimento está garantido por mecanismos como:

  • Plebiscitos e referendos populares
  • Iniciativas populares de projeto de lei
  • Participação em conselhos municipais
  • Fiscalização e controle social da administração pública

Nos últimos anos, a CMBH também vem ampliando os canais de escuta e colaboração com a sociedade. Exemplo disso é a Resolução 2.113/2023, que modificou o Regimento Interno da Câmara para simplificar os processos de participação, e a criação do Banco de Ideias Legislativas, uma plataforma virtual onde qualquer cidadão pode sugerir propostas legislativas e políticas públicas.

Campanha nas ruas: informação que empodera

Com forte presença visual, a campanha dos 35 anos da Lei Orgânica aposta na comunicação direta e acessível como meio de conscientização. Outdoors em avenidas de grande tráfego, painéis de LED em centros comerciais e placas em terminais de ônibus foram instalados para chamar atenção da população para o valor dessa legislação municipal.

“É nosso dever enquanto poder público informar a população sobre seus direitos e garantir meios de participação. A campanha cumpre esse papel educativo e mobilizador”, afirma Juliano Lopes (Podemos), presidente da Câmara.

Por que conhecer a LOMBH é essencial?

Muitos cidadãos ainda desconhecem os detalhes da Lei Orgânica, o que enfraquece sua capacidade de reivindicar direitos e cobrar políticas públicas. Conhecê-la é essencial para:

  • Compreender como o município funciona
  • Saber quais são os seus direitos e deveres
  • Exercer controle social sobre o Executivo e o Legislativo
  • Participar ativamente da vida política e dos destinos da cidade

Além disso, quanto mais informada a população estiver, mais difícil se torna a prática de decisões autoritárias, projetos excludentes e políticas alheias ao interesse coletivo.

LOMBH e a construção do bem comum

A essência da Lei Orgânica está na construção coletiva de uma cidade justa, igualitária e sustentável. Ela representa a soma das vozes, lutas e aspirações de milhares de cidadãos que acreditam na democracia participativa como motor de transformação social.

“A LOMBH é viva. Ela se transforma com a cidade, com as gerações e com os desafios do tempo presente. E isso só é possível com a participação ativa de cada um de nós”, resume Helton Júnior.

O futuro começa agora

A celebração dos 35 anos da LOMBH é uma oportunidade para olhar para o passado com gratidão e orgulho, mas também para projetar o futuro. O caminho da cidadania, da escuta ativa e do empoderamento popular ainda tem muito a percorrer, e essa trajetória depende diretamente da conexão entre a sociedade civil e as instituições democráticas.

Por isso, a campanha não termina nos outdoors: ela convida cada belo-horizontino a estudar a Lei Orgânica, refletir sobre seu papel como cidadão e se engajar na construção de políticas públicas transformadoras.

A Lei Orgânica de Belo Horizonte não é apenas um documento jurídico. Ela é um pacto social, uma carta de princípios e ações, uma bússola que orienta os caminhos da cidade. Celebrar seus 35 anos é renovar o compromisso com uma cidade mais inclusiva, transparente, participativa e solidária.

Então, que tal fazer parte dessa história? Acesse a Lei Orgânica, conheça seus direitos e contribua com ideias, propostas e engajamento. A democracia só se fortalece quando cada voz é ouvida — e você faz parte dessa construção.

LEIA MAIS:

Vereadores discordam sobre desapropriações do metrô

Fonte: Balcão News

Compartilhe: