Comissão da ALMG debate reivindicações de servidores da educação em meio à greve
Audiência marca o lançamento da campanha salarial do Sind-UTE/MG para 2026
A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza, na próxima terça-feira (17/3), uma reunião para discutir as reivindicações dos trabalhadores da rede pública estadual de ensino.
O encontro acontece às 10h, no Plenarinho II, e foi solicitado pela deputada Beatriz Cerqueira (PT).
A audiência também marca o lançamento da campanha salarial 2026 do Sind-UTE/MG. Para o debate foram convidados a coordenadora-geral do sindicato, Denise de Paula Romano, a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Sílvia Caroline Listgarten Dias, e o secretário de Educação, Rossieli Soares da Silva.
Categoria está em greve
Os trabalhadores da educação estadual estão em greve desde 4 de março. A principal reivindicação da categoria é a recomposição salarial de 41,83% para todos os níveis e carreiras da educação básica. Segundo o sindicato, o percentual corresponde às perdas acumuladas entre 2019 e 2025.
A entidade também defende que o reajuste seja aplicado aos servidores temporários e aos aposentados sem paridade, que não recebem automaticamente os mesmos reajustes concedidos aos profissionais da ativa.
Outro ponto da pauta é a aplicação, no vencimento inicial das oito carreiras da educação básica em Minas, do piso salarial nacional atualizado pela Portaria nº 82/2026 do Ministério da Educação. A proposta é que esse valor seja incorporado à estrutura da carreira, preservando a proporcionalidade entre os cargos.
Entre as demais reivindicações estão o pagamento imediato de verbas consideradas pendentes, a concessão automática de promoções por escolaridade para profissionais que obtenham nova titulação e a revogação de medidas que ampliam a participação da iniciativa privada na gestão da educação pública.
Críticas à parceria público-privada
O sindicato também critica o leilão de 95 escolas estaduais previsto para ocorrer no dia 25 de março, na B3, em São Paulo. A proposta envolve uma parceria público-privada com duração de 25 anos e investimentos estimados em R$ 5,1 bilhões.
Pelo modelo apresentado, a empresa vencedora ficará responsável pela infraestrutura e pelos serviços administrativos das unidades, enquanto o Estado continuará responsável pelas atividades pedagógicas. As 95 escolas estão distribuídas em 34 municípios mineiros e atendem cerca de 70 mil estudantes.
Reajuste proposto pelo governo
O debate ocorre após o anúncio do Governo de Minas de um reajuste de 5,4% para todo o funcionalismo estadual. A proposta foi encaminhada pelo governador Romeu Zema (Novo) à ALMG no dia 11 de março e prevê recomposição salarial para cerca de 673 mil servidores ativos, inativos e pensionistas, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2026.
Para a deputada Beatriz Cerqueira, no entanto, o percentual tem impacto limitado diante da situação das carreiras do Estado. Segundo ela, há casos de profissionais da educação com vencimento básico inferior ao salário mínimo, o que evidencia a desvalorização da categoria.
A parlamentar também criticou a ausência de um cronograma para pagamento dos valores retroativos e defendeu que a discussão sobre remuneração está diretamente ligada à qualidade dos serviços públicos oferecidos à população.
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Fonte: Balcão News
