Comunidade de Lagoa Santa reage a possível Colégio Tiradentes

Alunos e professores da Escola Estadual Reparata Dias de Oliveira cobram diálogo

Angústia, incerteza e sensação de desrespeito marcaram a visita da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais à Escola Estadual Reparata Dias de Oliveira, em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A reunião, na última segunda-feira (24), teve como objetivo ouvir a comunidade escolar sobre a possível transformação da unidade em Colégio Tiradentes da Polícia Militar.

Com 41 anos de história, a escola atende cerca de 380 estudantes de 14 bairros, oferecendo ensino fundamental, médio regular, profissionalizante e Educação de Jovens e Adultos (EJA). A unidade está localizada no bairro Vila Maria, em uma área de vulnerabilidade social.

Segundo o diretor Thiago Luiz Oliveira, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) ainda não confirmou nem descartou a possibilidade de mudança. A escola teria recebido apenas um contato da Superintendência Regional de Ensino informando sobre a visita de três militares à paisana para avaliar as instalações.

Ao mesmo tempo, a comunidade foi informada de que a escola passará a oferecer ensino médio em tempo integral profissionalizante. A decisão, segundo a direção, foi comunicada sem discussão prévia com a escola, que teve apenas 48 horas para escolher um curso entre as opções apresentadas pela SEE. A unidade optou pela área de administração.

Professores temem aumento da evasão

A direção e professores afirmam que o modelo integral não corresponde ao perfil dos estudantes. Segundo eles, mais de 80% dos alunos trabalham, e a ampliação da carga horária pode provocar aumento da evasão.

O diretor também teme que a mudança contribua para o enfraquecimento gradual do ensino fundamental e da EJA, modalidades que já enfrentariam redução no número de estudantes.

Professores relataram sentimentos de angústia, revolta e falta de respeito diante das informações consideradas contraditórias e da ausência de diálogo com o governo estadual.

Estudantes defendem permanência da escola

Durante a visita, alunos também se manifestaram contra mudanças que possam descaracterizar a Reparata Dias de Oliveira.

Estudantes destacaram a importância da escola para a comunidade e lembraram melhorias realizadas nos últimos anos. Eduardo Fernandes de Carvalho, aluno do EJA, afirmou que retornou à unidade depois de uma experiência anterior e encontrou uma escola completamente recuperada.

Para ele, a possível transformação em Colégio Tiradentes não faria sentido diante da importância da instituição para os moradores da região.

Deputada cobra diagnóstico e participação

A presidenta da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, deputada Beatriz Cerqueira (PT), afirmou que a visita reforçou a necessidade de um diagnóstico antes de qualquer decisão sobre a transformação das escolas.

Segundo a parlamentar, comunidades escolares de outras unidades também relatam terem sido surpreendidas e não terem sido consultadas sobre possíveis mudanças.

Beatriz Cerqueira citou ainda a Lei Estadual 24.482, de 2023, que estabelece uma política de prevenção e combate ao abandono e à evasão escolar e prevê a manutenção do ensino médio regular onde houver demanda.

A comissão pretende continuar visitando escolas que possam ser afetadas pelas mudanças e ouvir as respectivas comunidades antes de se posicionar sobre as propostas.

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