Especialista orienta como organizar as finanças em 2026
E evitar que dívidas virem ‘bola de neve’
Diz o ditado popular que “o ano só começa depois do Carnaval”, mas para muitas famílias brasileiras 2026 já começou sob pressão.
Cerca de 79% dos lares encerraram dezembro de 2025 endividados — o maior índice da série histórica, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Para o professor de Contabilidade e Finanças do Centro Universitário Integrado, Renan Silva de Carvalho, o momento exige ação imediata.
“Para que o restante deste ano não seja uma repetição dos apertos financeiros de 2025, o momento de agir é agora. Exige economia, estratégia e diálogo familiar. O primeiro passo é encarar a realidade dos números. É preciso listar valores, prazos e as taxas de juros. As dívidas que crescem mais rápido, como o rotativo do cartão e o cheque especial, devem ser a prioridade absoluta”, explica.
Para evitar que as dívidas acumuladas se transformem em uma “bola de neve”, o especialista recomenda três passos fundamentais:
1. Troca de dívida
Se os juros estiverem muito altos, vale avaliar a contratação de um empréstimo consignado — que costuma ter taxas menores — para quitar o cartão de crédito. A regra é clara: só vale a pena se a nova parcela couber no orçamento.
2. Renegociação imediata
Os primeiros meses do ano costumam trazer campanhas de renegociação por parte dos bancos. Plataformas como o Serasa Limpa Nome podem oferecer descontos que chegam a 90% sobre juros e multas.
3. Corte seletivo de gastos
Evitar novos parcelamentos, especialmente de itens ligados a consumo por impulso ou “status”, é essencial. Substituir lazer pago por opções gratuitas e revisar assinaturas digitais pouco utilizadas pode gerar economia relevante no fim do mês.
O tabu do dinheiro dentro de casa
Segundo o professor, um dos principais entraves para o equilíbrio financeiro é a falta de diálogo.
“Falar de dívida assusta. O ideal é iniciar a conversa pelos sonhos da família. Pergunte: ‘o que queremos realizar este ano?’. A partir daí, o planejamento financeiro surge como caminho natural para alcançar esse objetivo”, recomenda.
Quando todos entendem as prioridades, a economia deixa de ser sacrifício individual e passa a ser compromisso coletivo.
Os dados reforçam a urgência do tema. A Peic aponta que cerca de 73 milhões de brasileiros (43,7% da população adulta) estão com o nome negativado.
Já a Serasa estima que mais de 57 milhões de pessoas possuem pendências financeiras e sequer sabem da situação por falta de acompanhamento do CPF.
Onde buscar ajuda
Para quem deseja virar o jogo em 2026, o especialista recomenda:
- Aplicativos de controle financeiro
- Planilhas gratuitas
- Cursos online de educação financeira
- O tradicional caderno para anotar todos os gastos
- Outro ponto essencial é a construção de uma reserva de emergência, mesmo que aos poucos.
“Sair do endividamento é um processo, não acontece da noite para o dia. Exige disciplina e é importante celebrar as pequenas vitórias. Com determinação e planejamento, é possível reorganizar a vida financeira”, conclui Renan.
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Fonte: Balcão News
