FIEMG apoia subsídio à gasolina e faz alerta fiscal

 

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) manifestou preocupação e cautela após o anúncio do Ministério da Fazenda sobre a prorrogação, por mais um mês, da subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina. A medida, mantida pelo governo federal nesta sexta-feira (24), busca amenizar os impactos da alta internacional do petróleo sobre os preços dos combustíveis no Brasil.

O benefício foi instituído em maio deste ano, em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, que contribuíram para elevar as cotações do petróleo no mercado internacional. Com a continuidade do conflito no Oriente Médio, o barril do tipo Brent voltou a ultrapassar a marca de US$ 100, aumentando a pressão sobre os preços dos derivados.

Para a FIEMG, a decisão pode ajudar a conter os efeitos imediatos da inflação e preservar parte da atividade econômica. No entanto, a entidade destaca que a política deve ser acompanhada de responsabilidade fiscal e de uma estratégia clara para seu financiamento.

Impacto na inflação e na indústria

Segundo o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, o subsídio tem potencial para reduzir os impactos do aumento dos combustíveis sobre diversos setores da economia.

“A elevação dos preços dos combustíveis afeta diretamente a inflação, o transporte de cargas, os custos logísticos e as cadeias produtivas, comprometendo a competitividade das empresas”, destacou o economista.

A entidade ressalta que a alta da gasolina possui efeito em cascata, influenciando os preços de produtos e serviços em todo o país. Isso ocorre porque o combustível está diretamente ligado ao transporte de mercadorias, à mobilidade urbana e ao funcionamento de diversos segmentos industriais.

Nesse contexto, a manutenção temporária da subvenção é vista como um mecanismo para reduzir a transmissão da volatilidade do mercado internacional ao consumidor brasileiro.

Atenção às contas públicas

Apesar de reconhecer o caráter emergencial da medida, a FIEMG avalia que a continuidade do subsídio exige cautela. A federação destaca que é fundamental haver transparência sobre os custos da política e suas respectivas fontes de financiamento.

De acordo com a entidade, benefícios temporários podem ser importantes em momentos de instabilidade internacional, mas não devem ampliar as incertezas relacionadas às contas públicas.

A FIEMG defende que qualquer iniciativa nesse sentido seja acompanhada de prazos definidos e regras claras, garantindo previsibilidade para empresas, investidores e agentes econômicos.

Soluções de longo prazo

Além da discussão sobre o subsídio, a federação reforçou a necessidade de avançar em medidas estruturais voltadas para a segurança energética e a competitividade da economia brasileira.

Entre os pontos destacados estão a redução dos custos sistêmicos, a ampliação da capacidade de investimento e a construção de um ambiente regulatório estável, capaz de estimular o crescimento sustentável.

Para a entidade, ações emergenciais têm papel importante em momentos de crise, mas precisam estar inseridas em uma estratégia mais ampla que permita ao país enfrentar oscilações do mercado internacional com menor dependência de intervenções temporárias.

Com a prorrogação do benefício, o governo federal busca evitar um repasse imediato da alta do petróleo aos consumidores. Já a FIEMG defende que o equilíbrio entre controle da inflação, responsabilidade fiscal e previsibilidade regulatória será essencial para garantir estabilidade econômica nos próximos meses.

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