FIEMG aprova venda de gás natural ao mercado livre

FIEMG aprova venda de gás natural ao mercado livre

Medida amplia concorrência

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) avaliou de forma positiva a decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que autoriza a venda direta do gás natural pertencente à União para o mercado livre.

A comercialização deverá ocorrer por meio de leilões de curto e longo prazos. A medida, anunciada nesta quinta-feira (30/7), pode ampliar a concorrência no setor energético e contribuir para a redução do preço do insumo utilizado pela indústria brasileira.

Na avaliação da FIEMG, a resolução representa um avanço relevante para a modernização e a abertura do mercado nacional de gás natural. A expectativa é de que o novo modelo estimule maior eficiência, aumente a oferta disponível e gere reflexos positivos sobre a competitividade das empresas de Minas Gerais.

Impactos para a indústria

O gás natural ocupa uma posição estratégica em diversas cadeias produtivas. Em setores com consumo energético elevado, o custo do insumo interfere diretamente na formação de preços, na capacidade de investimento e na competitividade das empresas.

A gerente de Energia da FIEMG, Tânia Santos, ressalta a relevância da medida para o setor.

“O Brasil tem forte presença de segmentos intensivos no consumo de gás natural, como siderurgia, metalurgia, indústria química, cerâmica, vidro, alimentos e bebidas, que poderão se beneficiar de um ambiente mais competitivo e de uma maior disponibilidade do insumo”, afirma.

Para Minas Gerais, estado que concentra atividades industriais expressivas em áreas como siderurgia, metalurgia, alimentos, bebidas e produção de materiais, a ampliação do mercado livre de gás natural pode representar uma oportunidade importante.

Com maior oferta e competição entre fornecedores, as indústrias poderão encontrar condições mais favoráveis para contratar o energético, reduzir despesas operacionais e planejar novos investimentos.

Regulamentação será decisiva

Apesar da perspectiva favorável, a FIEMG destaca que os resultados dependerão da aplicação efetiva das medidas regulatórias previstas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Entre os principais pontos estão o acesso não discriminatório às infraestruturas de escoamento, processamento e transporte de gás natural. Também são consideradas essenciais a ampliação da transparência do mercado, a implementação do Gas Release e o aperfeiçoamento das regras tarifárias.

“Essas ações são fundamentais para garantir maior competição entre os agentes e assegurar que a redução dos custos ao longo da cadeia produtiva seja efetivamente percebida pelos consumidores industriais”, pontua.

Na prática, a regulamentação deverá assegurar que novos agentes consigam acessar a infraestrutura existente em condições equilibradas. Esse processo será indispensável para que a abertura do mercado produza resultados concretos, evitando que os ganhos permaneçam restritos a determinadas etapas da cadeia.

Preço pode cair pela metade

De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), a nova política poderá reduzir em aproximadamente 50% o preço do gás natural da União destinado ao setor produtivo.

Caso a estimativa se confirme, a redução poderá aliviar custos de produção, fortalecer a competitividade da indústria nacional e melhorar o ambiente para novos empreendimentos.

O impacto também pode alcançar outras áreas da economia. Energia mais acessível tende a favorecer a expansão da atividade industrial, estimular investimentos, preservar postos de trabalho e abrir espaço para a geração de emprego e renda.

Além disso, preços mais competitivos podem ampliar a capacidade das empresas brasileiras de disputar mercados nacionais e internacionais, especialmente em segmentos nos quais a energia possui participação significativa no custo final de produção.

FIEMG acompanhará o processo

A FIEMG informou que continuará acompanhando a regulamentação da matéria e as próximas deliberações da ANP.

Essas definições serão determinantes para a implementação prática da nova política de comercialização do gás natural da União. A entidade defende que o avanço regulatório seja conduzido com transparência, segurança jurídica e condições efetivas de concorrência.

Para a Federação, a abertura do mercado representa um passo promissor. No entanto, o benefício para a indústria dependerá de regras capazes de transformar a decisão do CNPE em maior oferta, preços mais baixos e acesso equilibrado ao gás natural.

 

Leia também:

Consumo segue estável, mas cautela ainda predomina

Fonte: ver materia original

Compartilhe: