Galo: Entre a camisa e a vergonha!

Galo: Entre a camisa e a vergonha!

Galo: Entre a camisa e a vergonha!

O clássico entre Atlético e Cruzeiro pela final do Mineiro, deveria ter sido de celebração. Mas o que se viu em campo esteve muito distante disso.

Tecnicamente, a partida foi pobre. Muito pobre.
Nenhum jogador conseguiu exibir futebol de craque.
Faltou tudo, tudo mesmo.

Difícil de compreender foi a permanência de Gustavo Scarpa no banco de reservas durante boa parte do jogo. Em uma final, deixar de utilizar um jogador com sua capacidade técnica, visão de jogo e experiência levanta questionamentos.

Há um paradoxo cada vez mais evidente no futebol moderno: quanto mais profissional ele se torna fora de campo, mais pobre parece dentro dele. A gestão se sofisticou, os departamentos financeiros se multiplicaram, os relatórios e planejamentos ganharam prioridade absoluta. No entanto, o essencial, o futebol jogado, muitas vezes parece esquecido.

E quando a bola não resolve, surge o pior substituto possível: a confusão.

O jogo, que já caminhava para ser lembrado como uma final tecnicamente fraca, terminou manchado por um espetáculo ainda mais lamentável. Um incidente aparentemente pequeno transformou-se em uma briga generalizada. O resultado foi constrangedor: 23 expulsões, uma cena que correu o país e expôs o futebol mineiro a um vexame público.

Foi um espetáculo degradante para quem estava no estádio, para quem assistia pela televisão e para todos que ainda acreditam que o futebol deve ser, antes de tudo, um jogo.

Diante de episódios como esse, cresce entre os torcedores a sensação de que algo precisa mudar. Administração responsável é necessária, ninguém discute isso. Mas um clube de futebol não pode se resumir a balanços contábeis e planilhas administrativas. O coração do clube está no gramado.

Agora, com o início do Brasileirão e a chegada de um novo treinador, abre-se novas esperanças.

Porque o Galo é, antes de tudo, uma paixão.

E talvez ninguém tenha traduzido melhor esse sentimento do que o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, ao dizer que, se houver uma camisa do Atlético pendurada no varal durante um clássico, o atleticano torce contra o vento.

É exatamente isso que o torcedor espera voltar a ver em campo: jogadores que façam o vento soprar a favor da própria camisa.

Né não?

Afonso Canabrava

Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo, há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.

Instagram: @afonsocanabrava

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Fonte: Balcão News