Imposto de Renda 2026 permite destinar até 6% para projetos sociais sem custo extra
Contribuintes podem direcionar recursos para instituições que atendem idosos, crianças e pessoas com deficiência; medida ainda é pouco utilizada no país
Começa hoje, segunda-feira (23), o prazo de entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2026. Além da obrigação fiscal, o período abre espaço para uma ação pouco explorada pelos contribuintes: a destinação de parte do imposto devido para projetos sociais e sem qualquer custo adicional para o contribuinte.
Pela legislação brasileira, quem opta pelo modelo completo pode direcionar até 3% do imposto devido para o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FIA) e outros 3% para o Fundo do Idoso. Na prática, o valor que iria integralmente para a União pode ser aplicado diretamente em iniciativas sociais locais. Segundo estimativa da Receita Federal, as doações poderiam atingir mais de R$ R$ 14,59 bilhões. Contudo, somente uma fatia desse bolo é aproveitada.
Em 2025, o total direcionado a projetos sociais foi de cerca de R$ 413,99 milhões, uma redução de 17% em relação ao ano anterior. Somente em Minas Gerais, na declaração de pessoas físicas de 2025, o potencial de doação era de R$ 1,24 bilhão, porém foram arrecadados pouco mais de R$ 54 milhões, em um total de 36.347 doações, segundo a Receita Federal.
Apesar da baixa adesão, o impacto dos recursos já destinados é significativo em diversas regiões do país. Em Minas Gerais, por exemplo, os valores captados via fundos já beneficiam centenas de instituições e milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Onde a doação é aplicada?
Na prática, a destinação se traduz em atendimento direto à população. Em cidades do interior do estado, por exemplo, projetos financiados com recursos do Imposto de Renda garantem desde acolhimento de idosos até educação inclusiva para crianças com deficiência.
Um desses casos é o da ASSOPOC (Associação dos Protetores das Pessoas Carentes), em Crucilândia, que há mais de 30 anos atua no acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade. A instituição atende atualmente mais de 490 pessoas, entre idosos, crianças e pessoas com deficiência, em seis unidades que incluem lar de longa permanência, creche e centro de reabilitação.
A história começou em 1994, quando o empresário Sérgio Batista Coelho conheceu a realidade de idosos em situação precária na cidade. O que seria uma ajuda pontual se transformou em um dos maiores projetos de acolhimento do estado.
Outro exemplo é a APAE de Crucilândia, que oferece educação especializada, terapias e inclusão social para crianças e adolescentes com deficiência intelectual e múltipla. O impacto vai além dos atendimentos diretos, alcançando famílias inteiras, que passam a ter suporte e acesso a direitos básicos.
Já no campo do esporte e da cultura, o Instituto Galo, braço social do Clube Atlético Mineiro, tem ampliado o alcance de projetos sociais por meio de incentivos fiscais. Em quatro anos, a organização já impactou mais de 600 mil pessoas com iniciativas como ações sociais, projetos socioeducativos, esporte e música, e apoio a ex-atletas. Um dos projetos aptos a receber recursos via IR em 2026 é a Escola do Futuro, em Rio Manso.
Como fazer a destinação
O processo é simples e feito dentro do próprio programa da Receita Federal:
- Acesse a aba “Resumo da Declaração”
- Clique em “Doações Diretamente na Declaração”
- Escolha o fundo (criança/adolescente ou idoso)
- Insira os dados do Fundo a ser contemplado
- Informe o valor (até o limite permitido)
- Gere e pague o DARF até 29 de maio
O valor será abatido do imposto a pagar ou somado à restituição.
Baixa adesão ainda é desafio
Apesar do potencial de impacto, a adesão ainda é considerada baixa. Especialistas apontam que a falta de informação é o principal obstáculo. “Grande parte dos contribuintes desconhece que pode decidir o destino de uma parcela do imposto. Para as instituições, a destinação representa uma fonte essencial de financiamento, especialmente em municípios menores, onde o acesso a recursos é mais limitado”, afirma Sérgio Coelho.
Contatos para mais informações:
ASSOPOC — Associação dos Protetores das Pessoas Carentes
Instituto Galo
Ana Cristina Campos (31) 9215-8485 – Contato via Whatsapp
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Fonte: Balcão News


