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Galo: Muito Vivo! Canabrava em Campo!

Galo: Muito Vivo! O Galo ressuscitou? Nada disso! Estava apenas tirando uma soneca, dessas que dão nos times…

Galo: Muito Vivo! Canabrava em Campo!

Galo: Muito Vivo!

O Galo ressuscitou? Nada disso! Estava apenas tirando uma soneca, dessas que dão nos times quando a bola parece quadrada, o passe vai parar na arquibancada e o torcedor começa a desconfiar que comprou ingresso para assistir a um velório esportivo. Depois da Copa do Mundo, porém, o Atlético resolveu trocar o pijama pela chuteira. E, com a chegada do Barba, Eduardo Domínguez, o bicho voltou a ciscar, agora com método, disciplina e uma certa antipatia por entregar os pontos de bandeja!

A melhora não é invenção de torcedor apaixonado, daqueles que enxergam um craque até no gandula. A imprensa esportiva registrou a transformação com números e observações bem concretas. Em agosto, o ge apontou o Atlético entre os melhores aproveitamentos do futebol brasileiro no pós-Copa: 71,43% em sete partidas naquele recorte. Mais tarde, a maratona aumentou, mas o Galo continuou vivo, avançando às semifinais da Copa do Brasil e da Sul-Americana. A Itatiaia também destacou o saldo da retomada: oito vitórias, sete empates e três derrotas em 18 jogos. Convenhamos: para quem gosta de emoção, o coração atleticano já trabalha em regime de hora extra!

E o que mudou? Primeiro, o comportamento coletivo. O time passou a jogar com mais organização, maior compromisso defensivo e melhor entendimento entre os setores. Segundo, a proposta de jogo: menos preocupação em enfeitar a posse de bola e mais objetividade para chegar ao gol. O chamado “barbabol”, como a torcida apelidou o estilo de Domínguez, privilegia marcação, intensidade e transições mais diretas. É futebol sem frescura: bola para a frente, companheiro acompanhando e adversário que trate de arrumar um advogado para explicar o que aconteceu!

Terceiro, mudou o ambiente. O Barba conquistou espaço no vestiário, aproximou os jogadores de sua filosofia e fez o grupo compreender que camisa pesada não corre sozinha. O meio-campista Fred, em declaração publicada pela Itatiaia em outubro, elogiou a capacidade do treinador de unir o elenco e valorizar os jogadores. Traduzindo para o idioma da arquibancada: o homem fala, a turma escuta e, pelo menos por enquanto, ninguém parece estar fingindo que perdeu o aparelho auditivo!

Também há sinais de recuperação individual. Reinier ganhou protagonismo e chegou a nove gols na temporada, dividindo a artilharia atleticana com Cuello naquele levantamento do ge. Mas a maior mudança talvez seja menos fotogênica: o Galo voltou a demonstrar capacidade de competir, sofrer sem desmoronar e acreditar que um resultado adverso não precisa terminar em enterro com banda de música.

E o que pode esperar o torcedor? A resposta exige entusiasmo, mas não licença para a irresponsabilidade. O Atlético está nas semifinais da Copa do Brasil e da Sul-Americana e precisa continuar pontuando no Brasileirão. São três frentes abertas, três oportunidades de glória e três maneiras diferentes de testar a resistência cardíaca de uma torcida que já devia receber desconto no plano de saúde!

Na Copa do Brasil, o caminho exige concentração e competência em confrontos decisivos. Na Sul-Americana, a oportunidade é transformar a campanha em título continental. No Campeonato Brasileiro, o desafio é manter regularidade e não desperdiçar pontos contra adversários teoricamente inferiores. Porque não adianta derrubar gigante na quarta-feira e tropeçar no domingo diante de quem luta para escapar da lanterna. Isso não é estratégia: é fazer caridade com pontos que não são nossos!

A diretoria também merece reconhecimento pelo que acertou. O principal mérito foi apostar em um treinador cuja proposta encontrou resposta dentro do elenco e sustentou uma evolução perceptível nos resultados. Acertar no comandante é mais importante do que contratar meia dúzia de jogadores para fazer número na fotografia de apresentação. A chegada do Barba deu identidade ao time e devolveu competitividade a um grupo que precisava de direção. Agora, a obrigação dos dirigentes é não confundir boa fase com obra concluída: elenco precisa de profundidade, planejamento físico, contratações certeiras e proteção contra a velha tentação de achar que tudo se resolve com discurso de vestiário.

O Galo está muito vivo, sim! Mas ainda não ganhou coisa alguma por antecipação. Futebol não aceita procuração para levantar taça, e semifinal não se vence com retrospecto, entrevista bonita ou barba bem aparada. Vence-se com bola na rede, defesa atenta, banco competente e jogador que compreenda que a camisa alvinegra não é toalha de banho para enxugar o suor e depois pendurar no cabide.

O torcedor pode sonhar. Deve cobrar. E tem todo o direito de desconfiar quando o time resolve transformar um jogo controlado em novela mexicana. Mas há razões concretas para acreditar: o Atlético reencontrou organização, competitividade e ambição.

E fica o aviso aos adversários: o Galo não está morto, não está de férias e, pelo visto, não pretende pedir licença para incomodar. O Barba já penteou a casa; agora falta o elenco continuar varrendo os rivais do caminho. Sem salto alto, sem oba-oba e sem aquele empate indigesto que faz o atleticano passar a madrugada discutindo com o ventilador.

Porque o Galo está muito vivo e quem quiser enterrá-lo vai precisar, primeiro, conseguir alcançá-lo!

Né não?

Afonso Canabrava

Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.

  • As opiniões contidas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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