Assembleia Geral reuniu autoridades, empresários e executivos
A indústria de laticínios mineira debateu os desafios e as perspectivas do setor durante a Assembleia Geral do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado de Minas Gerais (Silemg), realizada na última quinta-feira (22/10), na sede da FIEMG, em Belo Horizonte. O encontro reuniu autoridades estaduais, empresários e representantes de entidades de classe, com palestras sobre inovação, tecnologia e mercado, além de um painel com executivos de grandes empresas.
Na abertura, a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, destacou a contribuição da FIEMG e do Silemg para o desenvolvimento socioeconômico de Minas Gerais. O secretário-adjunto de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, João Ricardo Albanez, ressaltou o potencial agropecuário mineiro e a importância da parceria entre o poder público e o setor produtivo para estimular investimentos e novas tecnologias.
O presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, também defendeu a cooperação entre indústria e governo para fortalecer a cadeia leiteira, ampliar investimentos, estimular a inovação e agregar valor aos produtos e subprodutos do leite.
Nova gestão aposta na competitividade
O presidente eleito do Silemg, Yago Sartori, definiu a competitividade e a participação dos associados como prioridades da nova gestão. Segundo ele, o fortalecimento da indústria depende da colaboração entre as empresas, da troca de experiências e da construção conjunta de soluções para os desafios da cadeia produtiva.
Entre as iniciativas previstas estão três fóruns de discussão. O primeiro será dedicado à valorização dos sólidos do leite e aos critérios de pagamento pela qualidade da matéria-prima. O segundo terá como foco a sinergia logística, com medidas para reduzir custos de transporte e otimizar as rotas de coleta. Já o terceiro abordará a competitividade industrial, com análise de custos, benchmarking e compartilhamento de práticas para aumentar a produtividade.
Durante o encontro, Guilherme Abrantes, ex-presidente do Silemg e próximo a assumir a presidência da FIEMG, agradeceu a confiança recebida e reconheceu o apoio de pessoas que contribuíram para sua trajetória.
Tecnologia e mudanças no consumo
A programação técnica abordou estratégias para aumentar a produtividade e adaptar as operações industriais às novas demandas do mercado. Alessandra Souza, diretora de Marketing da Cryovac, discutiu os desafios operacionais da indústria de queijos, destacando a importância da automação diante da escassez e da rotatividade da mão de obra. A especialista também abordou a busca dos consumidores por conveniência, produtos fatiados, maior vida útil e diferentes formatos de consumo.
Vivian Colasurdo, gerente de Marketing da Categoria de Lácteos Brasil da Tetra Pak, apresentou tendências relacionadas à influência da ciência e da tecnologia no comportamento do consumidor. Entre as oportunidades apontadas estão a personalização e a nutrição especializada, com o desenvolvimento de produtos voltados a necessidades nutricionais específicas.
O diretor de Inovação e Tecnologia do Silemg, Eduardo Nascimento, analisou o mercado de leite, apresentou retrospectivas e projeções para o setor e destacou desafios para 2027. Entre os pontos de atenção estão os custos de produção, a logística e a gestão de estoques.
A análise também considerou a evolução da captação de leite no Brasil, os preços pagos aos produtores, o consumo e a pressão das importações de leite em pó. O equilíbrio entre produção nacional, balança comercial, demanda e controle de estoques será determinante para a disponibilidade do produto no mercado.
Executivos discutem oportunidades e desafios
A assembleia foi encerrada com um painel mediado pelo engenheiro agrônomo e consultor do setor lácteo René Machado. Participaram Bárbara Sollero, diretora executiva da Nestlé; Bruno Girão, CEO da Alvoar Lácteos; Lutz Rodrigues, presidente da Laticínios Davaca; Marcel de Barros, CEO da Laticínios Tirolez; e Paul Grasset, diretor-geral da Itambé.
Os executivos debateram questões ambientais, sociais e de governança (ESG) na cadeia leiteira, governança em empresas familiares, oportunidades de expansão do mercado e possíveis impactos da reforma tributária sobre a indústria.
O encontro reforçou a importância da inovação, da eficiência operacional e da articulação entre empresas e poder público para ampliar a competitividade da indústria de laticínios em Minas Gerais.











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