Reabertura de Ormuz pode reduzir impactos da crise logística no comércio exterior
A previsão de reabertura gradual do Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (19), anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode representar um alívio para as cadeias globais de suprimentos e para os custos logísticos internacionais. No entanto, especialistas alertam que o cenário ainda demanda cautela, uma vez que o entendimento entre Estados Unidos e Irã é considerado preliminar e prevê um período de até 60 dias para novas negociações, sem a formalização de um acordo definitivo de paz.
Levantamento realizado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), com base em dados do Comex Stat, mostra que as restrições logísticas provocadas pelo fechamento da principal rota marítima do Golfo Pérsico impactaram significativamente o comércio entre o Brasil e oito países do Oriente Médio: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Omã, Bahrein, Iraque e Irã.
Em maio de 2026, o fluxo comercial entre o Brasil e esses mercados somou US$ 1,04 bilhão, o menor valor mensal registrado desde janeiro de 2021. O resultado evidencia os reflexos da crise sobre as cadeias de suprimentos e os fluxos comerciais da região.
Minas Gerais também sentiu fortemente os efeitos das restrições. Entre março e maio de 2026, as exportações mineiras para os países analisados caíram 44% em comparação ao mesmo período de 2025. As importações apresentaram retração ainda mais expressiva, de 71%.
O minério de ferro foi o produto mais afetado nas exportações, registrando queda de 83%. Nas importações, o principal impacto ocorreu sobre o enxofre, insumo estratégico para a produção de fertilizantes. Apesar dos esforços de diversificação de fornecedores ao longo de 2026, com destaque para Cazaquistão e Turcomenistão, o preço médio do produto importado aumentou cerca de 185% em maio deste ano, na comparação com o mesmo mês de 2025.
De acordo com a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da FIEMG, Verônica Winter, os dados reforçam a necessidade de monitoramento constante dos desdobramentos geopolíticos e logísticos.
“A reabertura do Estreito de Ormuz pode aliviar parte das pressões sobre transporte e custos de importação, mas empresas brasileiras e mineiras devem permanecer atentas aos efeitos sobre cadeias de suprimentos e preços de insumos estratégicos nos próximos meses”, afirma.
Desde o início do atual conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, o Irã manteve fechada a passagem pelo Estreito de Ormuz, única saída marítima do Golfo Pérsico. Pela rota transitam embarcações responsáveis pelo transporte de aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo, fator que ajuda a explicar os impactos observados sobre logística, energia e comércio internacional.
Embora a perspectiva de reabertura seja considerada positiva para os mercados globais, os especialistas ressaltam que os efeitos sobre custos, abastecimento e logística continuarão sendo acompanhados de perto, especialmente pelos setores produtivos brasileiros e mineiros, que registraram perdas significativas durante o período de restrições.
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Fonte: Balcão News