Câmara debate redução do atendimento do Bradesco

Vereadores debatem impactos da redução do atendimento do Bradesco na capital e RMBH

A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) realiza na próxima nesta terça-feira (28), uma audiência pública para discutir os impactos da redução do atendimento presencial e da retirada de caixas eletrônicos do Banco Bradesco em Belo Horizonte e na Região Metropolitana.

O encontro, promovido pela Comissão de Direitos Humanos, Habitação, Igualdade Racial e Defesa do Consumidor, está marcado para as 10h, no Plenário Helvécio Arantes, e foi solicitado pelo vereador Pedro Patrus (PT). A população poderá acompanhar a discussão presencialmente ou pelos canais oficiais da Câmara na internet.

A audiência pretende avaliar os efeitos da diminuição da rede física do banco sobre consumidores, especialmente idosos, pessoas com deficiência, moradores de áreas com menor oferta de serviços e cidadãos em situação de vulnerabilidade econômica.

Além dos impactos sociais, o debate deve abordar questões relacionadas à proteção do consumidor, à inclusão financeira, ao acesso a serviços bancários essenciais e às obrigações das instituições financeiras quanto à transparência e ao atendimento à população.

Dados do Banco Central apontam que o número de agências bancárias no Brasil caiu 36% na última década, passando de cerca de 23 mil unidades, em 2015, para pouco mais de 16 mil em 2025. Em Minas Gerais, a redução foi de 32%, com o total de agências passando de aproximadamente 2,2 mil para 1,5 mil no mesmo período.

Já levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que os cinco maiores bancos do país fecharam, juntos, 1.345 agências entre 2024 e 2025.

O cenário contrasta com os resultados financeiros do setor. Em 2025, os bancos brasileiros registraram lucro de R$ 255 bilhões, valor 10% superior ao registrado em 2024 e 36,7% maior do que o observado há cinco anos.

Foram convidados para participar da audiência representantes do Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais, do Banco Bradesco, da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Minas Gerais, do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, do Sindicato dos Bancos de Minas Gerais e da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

A expectativa é que o encontro contribua para ampliar o debate sobre os impactos da digitalização dos serviços bancários e a necessidade de garantir o acesso da população aos serviços financeiros, especialmente para os grupos mais afetados pela redução do atendimento presencial.

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