FIEMG debate impacto de tarifas dos EUA sobre exportações brasileiras

Conselho de Relações Internacionais discute efeitos de possíveis sobretaxas

O Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) promoveu, ontem, quinta-feira (9), uma reunião para discutir os impactos das possíveis tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e os reflexos dessas medidas para a competitividade da indústria nacional.

O encontro reuniu representantes do setor produtivo e de instituições ligadas ao comércio exterior, entre eles o presidente do Conselho de Relações Internacionais da FIEMG, Alexandre Mello; a analista de Políticas e Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Gabriella Pereira Cardoso dos Santos; a presidente da Invest Minas, Milena Pedrosa; o presidente do Centro Industrial e Empresarial de Minas Gerais (CIEMG), Fausto Varela; e o presidente da SIAMIG, Mário Campos.

Na abertura da reunião, Alexandre Mello destacou que o cenário internacional exige acompanhamento constante diante das novas medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos. Segundo ele, a articulação entre a indústria, a CNI, as federações e o governo brasileiro será fundamental para demonstrar os impactos das tarifas e defender a competitividade dos produtos nacionais.

“A indústria tem o papel de mostrar, com clareza, quais são os impactos dessas medidas e quais caminhos podem fortalecer a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. É um momento que exige mobilização, diálogo e posicionamento técnico do setor produtivo”, afirmou.

Durante a apresentação técnica, Gabriella Santos explicou os principais mecanismos utilizados pelos Estados Unidos na aplicação de tarifas comerciais dentro da política “America First”. Ela destacou a diferença entre instrumentos como as Seções 122 e 301 da legislação norte-americana, que possuem objetivos distintos e podem gerar impactos diferentes sobre as exportações brasileiras.

Segundo a especialista, enquanto a Seção 122 prevê medidas de alcance global para produtos que competem com a produção norte-americana, a Seção 301 é direcionada a práticas comerciais atribuídas a países específicos, o que pode colocar o Brasil em desvantagem frente a concorrentes internacionais.

Na sequência, Fausto Varela analisou os possíveis efeitos das tarifas para setores industriais com forte participação nas exportações. Ele observou que medidas aplicadas exclusivamente aos produtos brasileiros tendem a reduzir a competitividade da indústria nacional no mercado internacional.

Além das tarifas norte-americanas, os participantes discutiram temas relacionados à agenda internacional da indústria, como as negociações para um possível acordo comercial entre Mercosul e Japão e as estratégias para ampliar a atração de investimentos para Minas Gerais.

Segundo a FIEMG, o encontro reforçou a importância de acompanhar as mudanças no comércio global e de fortalecer a inserção da indústria mineira em mercados estratégicos, preservando a competitividade das empresas e ampliando as oportunidades de negócios no cenário internacional.

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