INAES e ADM firmam parceria para impulsionar bioeconomia no Norte de Minas
Projeto aposta na valorização de espécies nativas, como o jenipapo, para gerar renda a pequenos produtores e contribuir para a conservação do Cerrado e da Caatinga
O Instituto Antônio Ernesto de Salvo (Inaes), braço de inovação, inteligência e sustentabilidade do Sistema Faemg Senar, e a multinacional ADM, por meio do programa de investimento socioambiental ADM Cares, firmaram parceria para desenvolver um modelo de bioeconomia voltado à valorização de espécies nativas em Minas Gerais, como o jenipapo.
A iniciativa pretende capacitar coletores e pequenos produtores rurais e transformar recursos naturais do Cerrado e da Caatinga em oportunidades de geração de renda, conservação ambiental e inclusão produtiva.
O projeto será implantado inicialmente no Norte de Minas e no Vale do Jequitinhonha, regiões que apresentam alguns dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado. A proposta prevê ampliar a participação de pequenos produtores, capacitar coletores e incentivar boas práticas de extrativismo sustentável, com rastreabilidade, valorização da produção local e remuneração justa aos participantes da cadeia.
Segundo o analista de planejamento do Inaes, Guilherme Chaves Andrade, o projeto busca diversificar as fontes de renda no meio rural ao mesmo tempo em que cria incentivos econômicos para a conservação ambiental.
“O Inaes, usando o seu pilar de sustentabilidade, traz uma solução dentro da central de apoio ao produtor rural. Esse projeto surge de uma grande parceria nossa com a ADM para diversificar a renda do produtor rural, por meio da valorização de uma espécie nativa que até então é subvalorizada na região e no estado, além de incentivar a conservação das árvores ao desenvolver oportunidades econômicas a partir da floresta em pé”, explica.
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- Estruturação da cadeia produtiva
Entre as principais ações previstas estão o mapeamento das áreas de ocorrência natural do jenipapo, a mobilização de produtores rurais, com apoio logístico dos Sindicatos dos Produtores Rurais, e a capacitação das equipes responsáveis pela coleta. O projeto também prevê iniciativas para organizar a atividade extrativista de maneira segura, sustentável e capaz de gerar renda para as comunidades participantes.
O Inaes ficará responsável pela coordenação das operações em campo. As gerências regionais do Sistema Faemg Senar e os sindicatos atuarão na identificação das áreas participantes, no cadastramento dos produtores e na mobilização local.
O Senar atua na formação das equipes, com treinamentos sobre segurança no trabalho, técnicas de colheita, manejo adequado dos frutos e padronização das embalagens. A primeira coleta de jenipapo foi realizada entre os dias 13 e 17 de julho, no município de Rubim (MG).
Os cursos começaram em julho, e os interessados devem manifestar a intenção de participar por meio de termo de adesão ao programa. A metodologia inclui a utilização de equipamentos adequados para ampliar a segurança dos trabalhadores, reduzir perdas e preservar a qualidade dos frutos ao longo de todo o processo.
A expectativa é que o projeto-piloto permita validar a viabilidade técnica da cadeia produtiva, fortalecer as capacidades locais e avaliar o potencial socioeconômico da atividade, com possibilidade de expansão nos próximos anos.
“Por atuarmos em todas as pontas da cadeia agrícola, uma das nossas missões é justamente apoiar a capacitação de produtores, promover conexões entre diferentes agentes e gerar impacto socioambiental nas comunidades e biomas onde estamos presentes. O conhecimento técnico e a educação são, nesse caso, o ponto de partida para o desenvolvimento estruturado e sustentável da bioeconomia”, afirma o especialista em Agronomia da ADM, Jonas Pagassini.
Além da diversificação das fontes de renda dos pequenos produtores, o projeto busca gerar oportunidades de trabalho para equipes de coleta e valorizar recursos naturais dos territórios atendidos. A iniciativa também fortalece os Sindicatos dos Produtores Rurais como pontos de organização e desenvolvimento regional.
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- Bioeconomia como alternativa de renda e conservação
O projeto aposta na bioeconomia como estratégia para agregar valor às espécies nativas e transformar o jenipapo em um ativo econômico. Ao possibilitar a geração de renda por meio da coleta sustentável dos frutos, a iniciativa cria um incentivo para a manutenção da cobertura vegetal, tornando a árvore em pé mais valiosa economicamente para o produtor do que a conversão da área para pastagens ou outras culturas.
A parceria integra o ADM Cares, programa global que apoia projetos relacionados à agricultura sustentável, conservação da biodiversidade e desenvolvimento das comunidades onde a companhia atua. Presente no Brasil desde 1997, a ADM trabalha globalmente na comercialização de grãos e insumos e nos setores de nutrição humana e animal.
Segundo Guilherme Chaves Andrade, o ciclo de 2026 será importante para compreender o potencial produtivo das regiões participantes e consolidar um modelo que poderá ser ampliado nos próximos anos, fortalecendo novas cadeias produtivas baseadas na bioeconomia em Minas Gerais.
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