O Galo vai voltar! O futebol agradece – Canabrava em Campo

O Galo vai voltar! O futebol agradece

Antes de tudo, um aviso aos que transformaram futebol em cartório: o torcedor quer bola rolando, não despacho de gabinete.

Chega dessa tal Copa do Mundo que, em muitos momentos, pareceu mais um congresso de burocratas do que um campeonato de futebol. Num país que resolveu eleger Donald Trump outra vez, o espetáculo, às vezes, ficou do tamanho da confusão. Teve juiz expulso, cartão vermelho suspenso por decisão presidencial da FIFA, gol legítimo anulado, critérios que mudavam conforme a camisa e um festival de lambanças que faria qualquer pelada de bairro parecer exemplo de organização. Lamentável! Futebol não pode ser decidido no cafezinho dos gabinetes. Futebol nasce na grama, morre na grama e renasce na arquibancada.

Mas chega de chorar leite derramado. Voltemos ao que realmente interessa: o Atlético Mineiro. Porque, quando o Galo entra em campo, o futebol lembra que ainda existe uma coisa chamada arte. E arte não se explica; arrepia.

A pausa caiu do céu para o Alvinegro. Enquanto muita gente gastava sola de chuteira em competição internacional, o Galo ganhou aquilo que técnico nenhum compra na farmácia: tempo. Tempo para treinar, corrigir, conversar, experimentar e, principalmente, colocar ordem na casa. O “Barba” teve semanas para aparar as arestas. Quem conhece o treinador sabe que, quando ele encontra tempo para trabalhar, costuma entregar um time muito mais organizado, intenso e competitivo.

E, fora das quatro linhas, também houve boas notícias. A Família Menin aprovou um aporte de R$ 530 milhões na SAF atleticana, reforçando a estrutura financeira do clube e permitindo reorganizar compromissos importantes, inclusive com instituições financeiras. O caixa respira, a gestão ganha tranquilidade e o torcedor volta a olhar para frente sem aquela calculadora na mão.

No mercado, a diretoria resolveu trocar o oba-oba pela inteligência. O zagueiro Léo Duarte já está encaminhado para reforçar a defesa, enquanto a imprensa esportiva segue apontando outras negociações pontuais, sempre buscando jogadores capazes de elevar o nível do elenco sem aventuras financeiras. A direção tem repetido que a estratégia será contratar pouco, mas contratar certo.

E não é só quem chega que anima. Tem muito jogador que parecia perdido e ganhou uma segunda chance durante essa parada. Atletas como Cassierra, Alan Minda, Tomás Pérez e outros que ainda buscavam seu melhor encaixe tiveram tempo para recuperar confiança, entrosamento e ritmo. Em futebol, confiança vale quase tanto quanto talento. E quando ela volta, parece até que trocaram o jogador.

O calendário continua pesado. Brasileirão, Copa do Brasil, Sul-Americana… Haja coração! Mas quem torce para o Atlético sabe que sofrimento faz parte da identidade. Aliás, atleticano reclama, xinga, promete nunca mais ir ao estádio… e, na quarta-feira seguinte, está lá outra vez, camisa no peito, voz rouca e esperança renovada. Porque torcer para o Galo talvez seja o melhor remédio que existe contra a monotonia da vida.

E nem adianta procurar lógica demais. Futebol nunca foi ciência exata. Hoje o craque perde gol debaixo da trave; amanhã acerta um chute que nem ele acredita. Hoje o comentarista garante que o time acabou; domingo ele está dizendo que sempre confiou no projeto. Futebol é assim mesmo. Um dia é uma coisa. No outro, é completamente diferente.

Por isso, atleticano, guarde o pessimismo na gaveta. A temporada vai recomeçar. O caixa está mais organizado, o elenco ganhou fôlego, o treinador trabalhou e o Galo continua vivo em várias frentes.

E quando o Galo canta alto, meu amigo… até a lógica pede licença.

Né não?

Afonso Canabrava

Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.

  • As opiniões contidas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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