Produção industrial de Minas cresce 1,2% no ano
Mas perde força em maio
A produção industrial de Minas Gerais registrou crescimento de 1,2% no acumulado de janeiro a maio de 2026, mas apresentou desaceleração no quinto mês do ano.
Os dados foram divulgados ontem, sexta-feira (10/7) pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).
Na comparação entre abril e maio, com ajuste sazonal, a atividade industrial recuou quase 2%. Já em relação a maio de 2025, a produção caiu pouco mais de 1%, indicando perda de ritmo da atividade no estado.
Até abril, a indústria mineira acumulava expansão próxima de 2%. Com o desempenho registrado em maio, o crescimento foi reduzido para 1,2%, ficando abaixo da média nacional, que alcançou 1,4% no mesmo período.
Extrativa e transformação sustentam resultado
Apesar da desaceleração observada em maio, o saldo positivo no ano foi impulsionado pelo desempenho da indústria extrativa, que avançou cerca de 2%, e pela indústria de transformação, que apresentou crescimento próximo de 1%.
Entre os segmentos que mais contribuíram para a queda no mês de maio estão a indústria extrativa, com retração de aproximadamente 4%, a fabricação de máquinas e equipamentos, que caiu cerca de 7%, a produção de derivados de petróleo e biocombustíveis, com recuo de 6%, e a metalurgia, que registrou queda próxima de 4%.
Por outro lado, alguns setores apresentaram desempenho positivo. A fabricação de produtos do fumo liderou o crescimento, com alta de quase 15%. Também avançaram a indústria de produtos químicos, com crescimento de aproximadamente 12%, o setor de celulose e papel, com alta de 8%, e a fabricação de veículos, que expandiu cerca de 2%.
Cenário ainda exige cautela
Segundo a FIEMG, a expectativa para os próximos meses é de continuidade do crescimento, porém em ritmo moderado. A entidade destaca que a redução da taxa básica de juros pode favorecer gradualmente o crédito e os investimentos, embora a política monetária ainda permaneça em nível considerado restritivo.
Além do cenário interno, fatores internacionais também devem influenciar o desempenho da indústria mineira, como as tensões geopolíticas, a volatilidade dos preços das commodities e o ritmo da economia chinesa, principal compradora do minério de ferro brasileiro.
Para o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, a indústria de Minas deve encerrar 2026 com crescimento, mesmo diante das incertezas econômicas.
“A perspectiva para 2026 é de que a indústria mineira acumule crescimento, ainda que moderado, demonstrando sua resiliência em um cenário de incertezas. O desempenho do setor estará condicionado, sobretudo, à intensidade da flexibilização monetária, à recuperação da demanda doméstica e ao comportamento dos mercados internacionais de commodities”, afirmou.
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