IPCA desacelera e sobe 0,07% em julho, aponta FIEMG

IPCA desacelera e sobe 0,07% em julho, aponta FIEMG

Inflação acumula 4,44% em 12 meses

mas riscos externos e climáticos mantêm alerta

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,07% em julho, a menor variação para o mês desde 2022. O resultado representa o quarto mês consecutivo de desaceleração da inflação e levou o índice acumulado em 12 meses a 4,44%, abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação.

A variação também ficou 0,19 ponto percentual abaixo da registrada em julho de 2025, quando o IPCA avançou 0,26%. Segundo análise da Gerência de Economia da FIEMG, a desaceleração foi disseminada entre os grupos que compõem o indicador.

Entre as principais quedas estão Alimentação e bebidas (-0,67%), Vestuário (-0,66%), Despesas pessoais (-0,22%), Artigos de residência (-0,07%), Transportes (-0,05%), Educação (-0,03%) e Comunicação (-0,04%). Na direção oposta, Habitação subiu 0,99%, enquanto Saúde e cuidados pessoais avançou 0,40%.

Nos preços administrados, a inflação passou de 0,29% em junho para 0,27% em julho, acumulando alta de 5,09% em 12 meses. A desaceleração foi influenciada principalmente pelo comportamento de itens como gás de botijão, gasolina, óleo diesel e gás encanado.

Já os preços livres registraram queda de 0,01% em julho, após alta de 0,11% no mês anterior. Em 12 meses, a inflação desse segmento passou de 4,33% para 4,19%. Os bens industriais também recuaram 0,10% no mês e acumulam alta de 2,71% em 12 meses.

A alimentação no domicílio acumula inflação de 2,54% em 12 meses. Para os próximos meses, a FIEMG avalia que o comportamento dos preços dependerá, entre outros fatores, dos conflitos internacionais e das condições climáticas que afetam a produção agropecuária brasileira.

A inflação de serviços acumula alta de 5,85% em 12 meses, apesar da desaceleração registrada em julho. O segmento é acompanhado de perto na condução da política monetária por sua relação com o nível de atividade e o mercado de trabalho.

Riscos continuam no radar

Apesar da melhora recente, a FIEMG aponta riscos que podem pressionar a inflação nos próximos meses. Entre eles estão os efeitos do conflito entre Irã e Estados Unidos sobre preços do petróleo, combustíveis, fertilizantes e outros custos de produção.

Outro ponto de atenção é a possibilidade de fortalecimento do El Niño no segundo semestre. Segundo dados citados no boletim, há probabilidade de 97% de ocorrência do fenômeno com intensidade forte ou muito forte no último trimestre de 2026. Caso isso aconteça, eventos climáticos mais intensos podem pressionar os preços de alimentos e energia.

No cenário doméstico, também devem ser monitorados os efeitos do impulso fiscal e das políticas de crédito sobre a atividade econômica. Na avaliação da FIEMG, esses fatores podem dificultar a atuação da política monetária no processo de desaceleração da economia.

Para o fechamento de 2026, a FIEMG projeta IPCA de 5,26%. Para 2027, a estimativa é de 5,12%.

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Fonte: ver materia original

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