Consumo das famílias em BH segue estável, mas cautela predomina
Emprego sustenta confiança do consumidor
A intenção de consumo das famílias de Belo Horizonte manteve-se praticamente estável em julho, refletindo um cenário de cautela diante das condições econômicas. O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisado pela Fecomércio MG, registrou 83,9 pontos, permanecendo abaixo da linha dos 100 pontos, que indica satisfação dos consumidores.
Apesar do resultado ainda negativo, o mercado de trabalho continua sendo o principal fator de sustentação da confiança das famílias. O indicador de emprego atual alcançou 102,0 pontos, acima da linha de satisfação, com 26,6% dos entrevistados afirmando sentir maior segurança no emprego em comparação ao ano passado.
A percepção sobre a renda familiar também apresentou leve melhora, embora a maior parte dos consumidores ainda avalie que sua situação financeira permanece igual ou pior do que há um ano. Segundo a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, o consumidor continua administrando o orçamento com prudência, priorizando despesas essenciais e adiando compras de maior valor.
O acesso ao crédito segue como um dos principais entraves ao consumo. O indicador permaneceu abaixo da linha de satisfação e 39,2% dos entrevistados afirmaram que obter empréstimos ou financiamentos está mais difícil do que no ano anterior. Como consequência, 54,5% das famílias relatam estar consumindo menos, enquanto a intenção de compra de bens duráveis continua em patamar reduzido.
Mesmo diante desse cenário, a pesquisa aponta expectativas mais positivas para os próximos meses. O indicador de perspectiva de consumo permaneceu acima dos 100 pontos, indicando que parte dos consumidores espera ampliar os gastos no segundo semestre, caso o mercado de trabalho continue favorável e a renda mantenha trajetória de recuperação.
Para a Fecomércio MG, os resultados mostram que a estabilidade do emprego continua sustentando a confiança das famílias, mas os juros elevados, o crédito restrito e a cautela com o orçamento ainda impedem uma recuperação mais consistente do consumo.
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