Minas Gerais ultrapassa 1,85 milhão de MEIs
Comércio e serviços concentram quase 80% das atividades
O número de Microempreendedores Individuais (MEIs) continua crescendo no Brasil e Minas Gerais ocupa posição de destaque nesse cenário.
Com 1.852.470 registros ativos, o estado é o segundo com maior número de microempreendedores do país, atrás apenas de São Paulo. Os dados fazem parte de um estudo do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG, elaborado com base em informações do Portal do Empreendedor, da Receita Federal, do IBGE e do Caged.
Criado em 2008 para estimular a formalização de trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores, o programa do MEI tornou-se uma das principais políticas públicas de incentivo ao empreendedorismo no Brasil. Em pouco mais de 17 anos, o número de registros ativos saltou de 43,6 mil, em 2009, para mais de 17 milhões em 2026.
Segundo a Fecomércio MG,o crescimento reflete a importância do programa para a geração de renda, inclusão produtiva e fortalecimento dos pequenos negócios.
Minas está entre os estados mais empreendedores
Além de ocupar a segunda posição em número absoluto de MEIs, Minas Gerais aparece em nono lugar no ranking nacional quando considerada a proporção de empreendedores em relação à população.
O estado registra 86,6 microempreendedores para cada mil habitantes, equivalente a 8,66% da população. Santa Catarina lidera esse indicador, com 106,1 MEIs por mil habitantes, seguida por Rio de Janeiro e São Paulo.
Outro dado que chama a atenção é a abrangência do programa. Os 853 municípios mineiros possuem registros ativos de Microempreendedores Individuais, demonstrando a capilaridade da política de formalização em todas as regiões do estado.
Belo Horizonte lidera número de registros
Entre os municípios mineiros, Belo Horizonte concentra o maior número de microempreendedores formalizados, com 296.169 MEIs ativos.
Na sequência aparecem:
- Uberlândia – 88.200;
- Contagem – 77.398;
- Juiz de Fora – 59.136;
- Betim – 46.678;
- Montes Claros – 37.995.
Também figuram entre os 20 municípios com maior número de registros Ribeirão das Neves, Divinópolis, Uberaba, Governador Valadares, Ipatinga, Santa Luzia, Sete Lagoas, Nova Serrana, Ibirité, Poços de Caldas, Patos de Minas, Pouso Alegre, Varginha e Vespasiano.
Serviços e comércio concentram quase 80% dos negócios
O levantamento mostra que o setor de serviços permanece como o principal destino dos microempreendedores mineiros.
A distribuição das atividades é composta por:
- Serviços: 54,4%;
- Comércio: 23,7%;
- Indústria: 10,8%;
- Construção civil: 10,3%;
- Agropecuária: 0,8%.
Para o economista da Fecomércio MG, Henrique Braga, o crescimento demonstra a relevância do programa para reduzir a informalidade e ampliar oportunidades de geração de renda.
“O programa permitiu que milhões de trabalhadores saíssem da informalidade, passassem a ter acesso à proteção previdenciária e conquistassem melhores condições para desenvolver seus negócios”, afirma.
Homens são maioria entre os empreendedores
O perfil dos MEIs em Minas Gerais revela predominância masculina.
Segundo o estudo:
- 56% dos registros pertencem a homens;
- 44% são de mulheres.
Entre as empreendedoras, destacam-se atividades relacionadas aos segmentos de beleza, vestuário, alimentação e promoção de vendas.
Já entre os homens predominam serviços ligados à construção civil, transporte de cargas, transporte de passageiros e atividades comerciais.
A faixa etária com maior concentração de empreendedores é a de 31 a 40 anos, responsável por 27,8% dos registros. Em seguida aparecem pessoas entre 41 e 50 anos (24,4%) e entre 21 e 30 anos (20,1%).
Estabelecimento físico ainda predomina
Mesmo com o avanço da digitalização dos pequenos negócios, a maioria dos MEIs mineiros atua em estabelecimentos físicos.
O estudo aponta que:
- 36,9% trabalham em endereço fixo;
- 22,9% atuam de forma itinerante, porta a porta ou em postos móveis;
- 18,5% utilizam a internet como principal canal de atuação;
- os demais empreendem em locais fixos fora da loja, televendas, Correios ou máquinas automáticas.
Imigrantes também impulsionam o empreendedorismo
Embora 99,75% dos microempreendedores sejam brasileiros, Minas Gerais também reúne empreendedores de diversas nacionalidades.
Entre os estrangeiros cadastrados, predominam:
- Colombianos (22,43%);
- Venezuelanos (19,45%);
- Portugueses (5,91%);
- Bolivianos (5,46%);
- Haitianos (5,37%).
Segundo a Fecomércio MG, a presença desses empreendedores demonstra que o programa também contribui para a inclusão produtiva de imigrantes e para a diversidade do ambiente de negócios.
Sustentabilidade do programa ainda é desafio
Apesar dos resultados positivos, o estudo alerta para desafios relacionados à sustentabilidade do MEI.
Entre eles está a baixa regularidade das contribuições previdenciárias. Pesquisas citadas pela entidade indicam que apenas cerca de 38% dos microempreendedores mantêm seus recolhimentos em dia.
Para Henrique Braga, ampliar ações de capacitação, educação empreendedora, acesso ao crédito e incentivo à inovação será fundamental para garantir o crescimento sustentável dos pequenos negócios.
“O fortalecimento do MEI passa pela educação empreendedora. Quanto maior o acesso à informação, gestão financeira e inovação, maiores são as chances de crescimento desses negócios, de geração de empregos e de desenvolvimento econômico regional”, conclui.
O estudo reforça que o Microempreendedor Individual permanece como um dos principais instrumentos de formalização da economia brasileira, contribuindo para reduzir a informalidade, ampliar a produtividade e fortalecer especialmente os setores de comércio e serviços, que concentram a maior parte da atividade econômica do país.
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